good shit 2k17, pt i: the xx, djonga, lorde

Vivienn Carvalho
Aug 28, 2017 · 6 min read

talvez essa lista não seja o que meus amigos imaginariam — ou gostariam — que eu escrevesse. mas resolvi separar alguns álbuns e singles desse ano e explicar o porquê que eu acho que vale a pena ouvi-los.

vale lembrar algumas coisas: meus critérios são meus, e pessoais, e eu sei lá se você vai concordar comigo ou pensar “porra, mas você tá dando destaque a isso?” exemplo: eu não sou uma boa analista de rap. não vou explicar trocadilhos e lírica, embora acho que seja um aspecto interessante e gostaria de entender mais sobre. mas se você quer estudar sobre isso, não vou te dar informações que te interessem.

primeiro, vamos aos álbuns.

the xx: i see you

o the xx tem uma fama doce dentro de seu público mais fiel e duradouro, talvez por lançar um álbum a cada muitos anos. no caso, esse é o primeiro em cinco, o que trazia algum alarde para exatamente esse tipo de fama: “o the xx ainda existe?” aquela nostalgia dos idos de 2009, 2010 aqueceu bem o coração das pessoas que consideravam crystalized e islands hinos pessoais quando as músicas estavam em seu ápice. qualquer ligação entre a banda e uma época em que (como mencionado em outros textos meus) o “indie” era comercializado de forma massificada com destaque a bandas nova-iorquinas e britânicas gerou indubitavelmente a curiosidade em saber como seria o sucesso da banda atualmente, e como seria a experiência de ouvir o que parecia pertencer a outra era no pop.

mas indo à música.

o the xx sempre foi uma banda muito resiliente no fator estético. enquanto isso paga seu preço em questão de renovação musical, ganha-se em termos de identidade: quando você tem uma fase de ouvir bandas assim, essa fase é forte. e dentro disso, sempre podemos cair em algum nível de expectativas seguras sobre lançamentos futuros: trata-se de um som minimalista, sem distorções, polido, com hooks de loops de baterias eletrônicas e guitarras reverberadas. o dueto entre oliver e romy tendem a dar a uma música atmosférica um tom íntimo, como se você estivesse ouvindo seus próprios amantes pessoais on-demand. a combinação de tudo isso torna a banda elegantemente romântica e um pouco irresistível se você tiver um fraco por músicas quietas. pouco disso sumiu no novo álbum, mas dentro das limitações da formação e escolhas artísticas da banda, há um elemento de considerável renovação: o “baterista”, dj e produtor jamie xx (que tinha lançado um álbum solo durante o hiato da banda, bem saboroso que transita entre house, edm e indie pop), tomou para si um espaço criativo considerável na composição do álbum. as batidas são mais significantes, nesse, como a faixa de abertura, dangerous, já indica. a presença de samples faz muito pela composição e o resultado é um álbum relativamente mais otimista, dançante, e com momentos menos obscuros (como é o caso do álbum de estreia, xx) ou frágeis (no caso do segundo álbum, coexist), mas sempre mantendo a produção mais limpa e meticulosa pela qual conhecemos o the xx. na minha opinião? seria o melhor álbum da banda, pois sofre menos com o risco de monotomia e previsibilidade do que seus antecessores (especialmente o segundo). acho que é o primeiro álbum da banda que podemos atribuir com segurança o adjetivo “sólido”.

faixas a se destacar: say something loving, lips, replica, on hold

djonga: heresia

esse ano foi, definitivamente, minha iniciação real ao rap. um dos álbuns que mais incitou isso em mim foi, sem sombra de dúvidas, esse mesmo. não pelos motivos que você acha — mas, se você é um estranho ao gênero, pode se interessar com as observações aqui feitas.

o instrumental dentro do rap é, indiscutivelmente, segundo plano. não que isso seja uma crítica (e muito menos dizer que o instrumental seja ruim, bem ao contrário em muitos casos), mas meramente a função. você quer ouvir mesmo o que o mc quer dizer. e mesmo o próprio instrumental recebeu suas devidas renovações dentro do gênero no decorrer dos anos, atribuindo renome a produtores do que são referidas na internet como sick beats (eu espero que a formalidade nessa frase tenha comunicado bem a ironia ao estilo de texto que eu estou tentando fazer). atualmente, contamos com o reinado do trap, dos 808s e do sub-bass, cena alimentada tanto por nomes de peso como migos, lil uzi vert, e travis scott, quanto pela potente e caótica cena do rap underground no soundcloud (que, inclusive, incitou a fama de muitos rappers massivos, um dos maiores atualmente sendo o xxxtentacion). o que não significa que não tenha álbuns que não fogem dessas características fortes — mas calma. eu vou falar do flower boy daqui a pouco.

quando você cresce, no entanto, ouvindo rock alternativo e industrial, é difícil compreender a necessidade de se manter letra à frente, e beat atrás. música, pra mim, quase sempre foi mais uma experiência sensorial relativa a instrumentos e produção, e engolir loops e 808s foi, a início, difícil. mas não posso mentir: ao ouvir a interação entre o vocal visceral do djonga com as beats, heresia demonstrou uma organicidade que me prendeu tanto quanto álbuns que cresci ouvindo, de gêneros completamente distintos.

o uso de técnicas características do hip hop por definição, sendo essas o sampling, loops de breakbeats, dj scratching com vocais filtrados (isso só de pensar em corre das notas e esquimó), faz com que o instrumental antecipe e arme o campo minado para entrada furiosa do rapper, cujo vocal rasga sobre toda faixa que se dispõe à mutilação no decorrer do álbum. é uma raiva e honestidade cuspida que rendeu críticas ao mesmo (no quesito de uma presença de misoginia lírica, mas honestamente, eu não achei nada absurdo. não tiro o mérito de quem criticou, no entanto). independente disso, as beats servem de gasolina para o incêndio geral que é a experiência de ouvir o álbum, abrindo espaço para hooks francos como o de geminiano, assim como spoken words e momentos de agressividade constante. a produção do álbum é de pura maestria, com excelentes transições, melodias e samples. o resultado são instrumentais suculentos, e o rapper chega como o próprio açougueiro para fazer o corte.

faixas a se destacar: corre das notas, esquimó, santa ceia, geminiano

lorde: melodrama

eu acompanhei o hype da lorde de perto em 2014, mas não tinha parado para ouvir o pure heroine. honestamente, erro meu. fui capaz aproveitá-lo bem agora, ainda aos 19 e no início da faculdade, mas há algo de emocionante e recheado de sabedoria juvenil e blasé nesse álbum que talvez eu só teria realmente entendido por completo aos 16 e no ensino médio. não obstante disso, sinais como o david bowie apontando-a como o futuro do pop provavelmente deviam ter surtido um efeito maior em mim antes.

melodrama, no entanto, veio em bom tempo. ainda bem que para esse, eu acordei.

álbum antecipado de uma artista que, mesmo ocupando o posto comum de “diva pop”, sempre se demonstrou a mais cerebral de todas, melodrama é um álbum que levou perdoáveis 4 anos para ser lançado. esperaria-se menos de uma artista cuja produção é notoriamente reduzida e focada em suas habilidades vocais e líricas, mas depois de ouvi-lo algumas vezes, dá pra entender o porquê de tanto tempo. talvez a lorde estivesse esperando para ganhar a maturidade necessária para lançar esse álbum e fazer as experimentações que queria — e, embora a temática das letras continue bem jovial, a instrumentação desse álbum experimenta constantemente com os limites do pop e do que pode ser considerado um refrão ou um hook, o que não era esperado na época de lançamento do single principal do álbum, green light, que é facilmente a música mais comercial do álbum.

melodrama conta desde baladas de piano (liability) até articulação entre violinos e 808s com sub-bass (sober ii), batidas EDM (green light) experimentação com camadas de vozes diversas ecoando de um lado ao outro do fone com efeitos (sober, the louvre) e, claro, sempre uma performance vocal arrebatadora com harmonias bem colocadas, característica forte da lorde (homemade dynamite, hard feelings).

faixas a se destacar: homemade dynamite, sober ii (melodrama), the louvre

ainda tem mais na lista. outro dia eu volto pra encher o saco.

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