A cura

Vinícius Silva
Nov 6 · 3 min read

Me peguei pensando em você hoje. Não foram uma, nem duas, muito menos três vezes. Quem me dera tivesse sido só isso. Meus dias têm sido cheios. Há muito tempo não tinha tempo pra você. Passei meus dias correndo atrás de concretizar os objetivos que almejei. E consegui. Passo meu tempo pensando em como chegar em lugares que eu sonho, e estou fazendo. Tudo isso acompanhado das pessoas que gosto… mesmo que ainda com situações pendentes a se resolver.

Hoje, depois de f1, esses minutos onde não estou com a cabeça em outro estado -ou buscando nas memórias questões do meu passado que possam elucidar meu caminho de descobertas sobre mim mesmo- me peguei pensando em você depois de ouvir algo que você falava muito. Eu ri na hora. Essa risada me lembrou as risadas em sua casa, ou em qualquer lugar que estivemos onde você fez questão de debochar de alguma situação.

Depois disso, desse lapso de memórias invasivas que agora me atormentam por horas, fui chegando a memórias nossas que nem sabia que ainda tinha. Resolvi escrever. Eu compartilho do sentimento da Karol Conká que diz escrever pra cicatrizar feridas. É justamente isso. Eu escrevo pra cicatrizar feridas. Pra mim, pensar essas coisas agora são um alívio. Alívio pois posso me dar uma pausa das dezenas de tarefas que tenho pra poder devanear em memórias boas.

Ah, memórias. Eu teria te dito sobre isso se ainda tivéssemos contato. Tenho muito trabalhado memórias. Pensado elas. Estudado. Não necessariamente as nossas, mas as memórias que criamos ao longo da vida e que a gente jura que nos define. Às vezes as memórias antepassadas, de outras vidas e outros corpos, dizem mais de nós do que memórias recentes. Quero te contar disso, qualquer dia.

Percebi que recorri à outras memórias a fim que me ocupar com elas e, mesmo que impossível, esquecer das suas. Tem sido um processo de cura. Outra coisa desse meu momento. Cura. Processos… Ainda te conto sobre.

Tirei esse momento pra deixar registrado que pensei em você. Me dei ao luxo de pensar. Pensar como você está. Como deve estar seu cabelo, sua rotina, sua vida… Não faço isso regularmente. Geralmente só vou à lembranças. Lembrar eu lembro sempre. Impossível não lembrar. Você ainda permanece no meu dia-a-dia. No tornozelo ou em objetos que associo a você. A nós. Pensar meus meios de cura pras coisas da vida me deixou claro que, às vezes, as coisas só não tem cura. Não se tem cura quando não se tem feridas. Não me machuquei com você. Espero que não tenha se machucado comigo. Não é como se eu não quisesse me lembrar, ou que essas memórias se tornaram inúteis. Não é isso. É só que às vezes elas vêm de forma diferente. Mas como a gente bem sabe, tem certas coisas em nós, nas nossas memórias, em nossos corações e em lugares específicos que nem o mar pode levar.

“Me deixe sentir frio e calor, ver o sol nascer e se por lua após lua. Me deixe seguir sem tirar nem por, pois o prazer começa, ô, se aceitar a dor que é sua. Encontre sua cura.”

Vinícius Silva

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Uma bixa preta que escreve pra cicatrizar feridas.

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