Sobre orgia gay com muitas drogas entre padres no Vaticano e a felicidade.

Parece-me que há algumas maneiras de pensar a felicidade, assim como há algumas de encarar a sexualidade e atos sexuais em si. Os animais humanos, por vezes, conectam-se em ambas as questões, sem precisar pensar muito à respeito. Assim como outros animais, basicamente temos o instinto de se afastar da dor e aproximar-se do prazer. Mas isso define boa parte de nosso comportamento?
Bom, imaginem que ontem, um almoço de domingo entre amigxs num local público, sem drogas ilícitas nem sexo envolvido, mas em meio a risos e doses de bobagens faladas, uma pessoa diz num certo momento: “eu amo ser amiga de vocês! sou muito feliz”.
Lembremos de Epicuro, filósofo grego que, alguns séculos antes do nascimento de Jesus, dizia que a felicidade era um bem supremo, mas advertia seus seguidores que a busca por ela pode ser algo traiçoeiro. O sentimento inverso pode despencar-se em si com plenitude se a busca se tornar uma cobiça pelo prazer. Então para não se criar e apostar nos exageros irreais, impossíveis de terem um estado permanente, indicava, literalmente frear apetites sexuais, assim como os de comilança e bebedeira. Isso poderia ser algo radical a se falar em meio a homens da Grécia Antiga.
Séculos antes e mais ao oriente, Buda, explicava que os sentimentos da felicidade são tão efêmeros e inexpressivos que o que importa, de fato, é treinar e ter a percepção da mente em dia para entender como surgem e como se vão essas sensações. No budismo é uma questão de saúde não se adiantar aos problemas ou lamentar o passado. Se a sensação de felicidade vai e vem, é preciso então entender de maneira sábia. Portanto, quando o indivíduo compreende que a sensação desaparece tão rapidamente quanto surge, perde-se o interesse em persegui-la.
A ciência biológica concorda que são momentos passageiros, tudo está conectado ao que é produzido dentro do nosso corpo. Se a pessoa ganha na loteria ou é decisiva num momento crucial de um jogo esportivo, não é o fato em si que lhe deixa feliz, mas sim o que é produzido naquele exato momento em nossas células. A nossa memória de momentos especiais pode servir para relembrar, mas não para reviver. E isso não garante nenhuma felicidade eterna. Pense quantas pessoas que tiveram seus 15 minutos de fama e foram ladeira abaixo logo em seguida.
O que se adverte, em geral, é que se entendermos a felicidade como uma sensação prazerosa e condicionarmos nossa mente para a necessidade de nos sentirmos felizes, poderemos nos tornar extremamente ansiosos, estressados, intolerantes à tranquilidade. “Onde estão todas aquelas sensações? Eu preciso delas agora!”
A religião, o trabalho e em outros tempos, até a nação dava seus pitacos sobre o encontro da felicidade. Na bioquímica promete-se um caminho mais fácil do que constituir família padrão ou conquistar um cargo alto de poder, e então a felicidade viria na forma de substâncias estimulantes, ou drogas, se preferir assim chamar. É claro que dentro de uma ordem capitalista, permite-se e estimulam-se apenas as que mantêm estabilidade social, crescimento econômico, etc. Se a criança é hiperativa dentro da escola, não precisamos modificar a escola. Se o soldado tem dúvidas, anseios e crises durante uma guerra, não se para a guerra, mas modifica como ele vê o ‘inimigo’ pelos olhos de uma dosagem certa do que criamos em laboratórios. No capitalismo, nada está além da produção, e felicidade se vende. “É prazeroso não sentir tédio jamais, então toma mais essa dose viciante de comida gordurosa ou de um jogo pro seu smartphone”. Não é só um sintoma seu sentir-se cada vez mais intolerante por qualquer atividade que não lhe ofereça prazer (mesmo que seja um prazer banalizado), é a ordem do mundo vender-te e envolver-te na máxima que confunde prazer e felicidade numa única e rápida fusão lucrativa. Concentrar-se no que você compra pode ser algo trabalhoso, demandar tempo, tempo não feliz.
O Vaticano, que é um enclave murado dentro da cidade de Roma, ou uma ilha ornamentada com uns bons kilos de ouro retirado mundo afora, poderia estar igualmente isolado de ideias de felicidade e prazer? Em resumo, o que se dizia antes mesmo da fundação do cristianismo, e o que se disse na mesa ontem, é que a longo prazo, uma amizade proporciona mais felicidade que uma orgia frenética e desenfreada.
Alguém precisa conversar sério com esses padres.
