AGROECOLOGIA: Conheça mais sobre esse novo modelo de agricultura que não degrada o meio ambiente.

Você já ouviu falar em agroecologia? Se o objetivo é o de produzir alimentos sem uso de agroquímicos e consequentemente torná-los mais saudáveis, sem agredir ao meio ambiente, a agroecologia é a alternativa.

Seguindo pela história, no Brasil a agroecologia deu seus primeiros passos ao final dos anos 70 e início dos anos 80, quando iniciou um movimento de questionamento do modelo de agricultura do país, a monocultura. Em determinado período se trabalhou o conceito de agricultura alternativa, que buscava substituir práticas prejudiciais ao meio ambiente, como o solo, água e biodiversidade, por práticas mais ecológicas.

Quando a agroecologia começou a ganhar novos contornos, a iniciativa passou da experiência para a consolidação das práticas. Conforme Angela Cordeiro, engenheira agrônoma e uma das fundadoras do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP) — ONG que presta assessoria técnica a agricultores na região de Passo Fundo/RS — os impactos negativos desse modo de produção de monocultivos começou a abrir os olhos da sociedade e hoje existe maior apoio para outras formas de produção de alimentos, tanto no estado do Rio Grande do Sul quanto em outras regiões do país.

De acordo com a agrônoma, que foi uma das pioneiras na atuação de assessoria técnica em propriedades rurais, “temos nas diferentes regiões do país e ecossistemas uma série de alternativas que mostram viabilidade, do ponto de vista produtivo, econômico, ambiental e social da agroecologia como uma nova forma de se pensar a produção de alimentos”. Angela ressalta que o sistema agroalimentar se organiza tanto para quem produz como para quem adquire esses produtos.

Embora a agroecologia seja uma prática já consolidada em muitas regiões do país, o modelo de monocultura com grande escala de produção de grãos ainda predomina, principalmente no Noroeste. Todavia, todo município, por menor que seja, tem um núcleo urbano com pessoas que compram comida. Por isso, Angela defende que se deve pensar em como construir sistemas de segurança alimentar em cada município, com zonas de produção de alimentos agroecológicos. Assista ao vídeo e saiba mais.

Conforme explica a engenheira agrônoma, o Brasil exporta matéria-prima que resulta da monocultura, assim, a terra e o solo ficam com um passivo de veneno muito grande. Angela avalia que se trata de um prejuízo escondido em um ganho econômico ilusório, no modelo de exportação nacional.

As práticas agroecológicas, por outro lado, ajudam a recuperar ambientes degradados, na medida em que se trabalha com sistemas diversificados: na produção de grãos, hortaliças, animais, mel, árvores frutíferas etc. A agroecologia tem potencial de conservar o carbono no solo, manter a fertilidade e sua estrutura física, além de recuperar e manter os recursos hídricos e conservar a biodiversidade.

No dia 25 de abril, o CETAP comemorou seus 30 anos de atuação pela agroecologia com um evento em Passo Fundo. Confira nas fotos: