Tudo começa na sua casa: o modo como você separa o lixo tem impacto direto no aproveitamento de materiais para a reciclagem

Em Ijuí, a baixa quantia de lixo encaminhado para a reciclagem e as más condições do material separado dificultam o trabalho dos recicladores e têm elevado custo ambiental.

Um dos problemas ambientais, que gera preocupação mundial, é o lixo, não apenas pela grande quantidade de lixo gerado diariamente, mas principalmente pelo destino dado a estes materiais. Segundo dados do panorama de resíduos sólidos no Brasil em 2015, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a quantia média de lixo urbano gerado no Brasil supera 218 mil toneladas por dia, ou o equivalente a mais 1,071 kg de lixo por pessoa, todos os dias. Em 2014, a média per capita era 1,062 kg por dia. O aumento médio de 10 gramas por lixo por pessoa teve como resultado um aumento diário de 3 mil toneladas no total de resíduos urbanos no Brasil, com relação a 2014.

De acordo com o panorama, a quantidade de lixo coletado cresceu em todas, as regiões do País. A maioria dos resíduos coletados (58,7%) são encaminhados para aterros sanitários, outros a lixões (20%) e apenas 2% são encaminhados para compostagem e reciclagem.

A coleta seletiva do lixo é um meio de amenizar os problemas causados pelo destino incorreto dado aos resíduos produzidos diariamente, mas esta não é realizada em todas as regiões do País. Segundo uma pesquisa realizada em 2016 pelo o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Apenas 1.055 municípios possuem programas de coleta seletiva, número este que representa somente 18% dos municípios. Há ainda outro dado preocupante, de acordo com o mesmo estudo. Em algumas cidades, a quantidade de material que está sendo reciclado caiu entre 2014 e 2016. Brasília é um exemplo. A capital federal reciclou 3.700 toneladas de lixo por mês em 2014. Em 2016, esse valor caiu para 2.600 toneladas por mês.

Por outro lado, a concentração dos programas municipais de coleta seletiva permanece nas regiões Sudeste e Sul do País. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 81% estão situados nessas regiões. Veja mais em: http://cempre.org.br/ciclosoft/id/8.

A coleta de resíduos em Ijuí

A coleta seletiva de resíduos recicláveis no município de Ijuí teve início em novembro de 2007, e segue sendo realizada. Dos materiais coletados, são reciclados aproximadamente 6.67% do total de resíduos sólidos.

Em Ijuí, há quatro associações de recicladores: Associação de Catadores de Materiais Recicláveis (Acata), Associação de Recicladores da Linha 6 (ARL 6), Galera da Reciclagem e Associação dos Catadores Amigos da Natureza (Acan). Elas recebem os materiais da coleta seletiva realizada no município, conforme cronograma de entrega para cada associação.

O material somente é coletado no município e disponibilizado gratuitamente para as associações, que fazem a triagem e comercialização, não gerando custos de transbordo, transporte e destino final. Do material que chega até as associações, 68.23% é efetivamente reciclável, o restante é considerado rejeito, sendo destinado ao aterro sanitário do município de Giruá.

Algumas empresas da cidade disponibilizam os materiais reciclados diretamente para as associações, e recebem desconto de IPTU. Isto tem sido um dos grandes motivadores para que empresas firmem termos de compromisso com as associações, e lhes destinem diretamente os materiais. A grande vantagem é que as associações recebem um material limpo e com qualidade.

Problemas enfrentados pelas associações de reciclagem

Elizandra Cristiane Pinheiro da Silva, analista de planejamento da Incubadora de Economia Solidária, Desenvolvimento e Tecnologia Social (Itecsol) da Unijuí avalia que o grande problema enfrentado pelas associações é que parte do material coletado chega misturado com outros tipos de resíduos, que não são recicláveis e que muitas vezes comprometem aquilo que poderia ser comercializado pelas cooperativas. A Itecsol presta assessoria às associações Acata e ARL6. “Dados das associações demonstram que a metade do material que chegam, são materiais que não podem ser comercializados, pois tiveram contato com outros resíduos, como restos de alimento, principalmente os papéis; acabam estragando”, salienta

Outro problema enfrentado pelas as associações é a infraestrutura. Os galpões são pequenos, não comportam todas as atividades. Segundo Elizandra, em uma das associações parte do material coletado fica exposto ao tempo, o que é um grande problema para a reciclagem, pois na medida em que os materiais ficam expostos às intempéries climáticas, perdem o valor.

Conforme a analista, o trajeto do material reciclável inicia quando o morador o deposita no lixo da sua residência. Depois, ele é retirado e vai para a rua, onde fica em contato com o sol, ou com a chuva, até que seja recolhido, para ser entregue na associação, para finalmente ser processado. “É um tempo longo, os materiais acabam perdendo o valor inclusive por não serem separados adequadamente”, ressalta.

Saiba como separar

Os materiais considerados recicláveis no município estão classificados em três classificações gerais, que compreendem: papéis, plásticos e metais.

São materiais recicláveis na categoria dos papéis, os cadernos, jornais, revistas, caixas de papelão, saco de cimento e cal, papel kraft, embalagens de ração para animais.

Já na categoria plástico estão materiais como: embalagens de materiais de higiene pessoal (embalagens de shampoo, condicionador, hidratantes) e de produtos de limpeza; embalagens de alimentos, como potes de margarina, nata, chimia; pote de iogurte, entre outros. “Tudo que for de plástico de uso doméstico é passível de ser comercializado”, ressalta Elizandra.

Na categoria dos metais, materiais como latas de condimentos, a exemplo de sardinha, milho, salsicha; ferro, aço. A analista explica que todos estes materiais são passiveis de serem encaminhados, destinados para os catadores, pois são matérias que podem ser comercializados.

Faça sua Parte! Colabore!

No município de Ijuí, houve um acréscimo no número de catadores de rua. Isto vem acontecendo devido à necessidade que famílias têm de melhorar suas condições de renda, e encontram neste trabalho uma possibilidade. Nas associações, essas dificuldades também são enfrentadas, especialmente porque pouco material é encaminhado a elas, e em condições ruins, que comprometem a qualidade dos materiais e, também, a renda dos trabalhadores. Cabe a cada um realizar a coleta seletiva do lixo que é gerado em suas residências, depositando estes limpos em suas classificações, promovendo assim, a cidadania, a inclusão social e principalmente a preservação do meio ambiente.

https://youtu.be/8YpaZUoqTCk

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