Misery

Não tenho vontade de nada, e no segundo anterior eu tinha vontade de tudo. Aqui dentro talvez essa vontade ainda exista, mas ela não é grande o suficiente para me fazer levantar e realizar tudo que preciso/quero. Eu ando tão cansada. Cansada das pessoas, não vejo mais meus amigos. Nem sei se tenho amigos. Acho que nunca fui de ter amigos. Perceba que eu não disse que “não sou de muitos amigos”, eu sou é de amigo nenhum. Eu não mantenho ninguém, e os amigos se mantêm, não é? Não sei, não manjo de amizade. Tive uma duradoura uma vez. Não deu certo. Eu sou sozinha e gosto de acreditar que sou feliz assim (mesmo que seja mentira).

Estou cansada das aulas. Tenho me obrigado a levantar todos os dias e ir a todas as aulas, mas geralmente estou dentro da sala e não to realmente lá, entende? Estou cansada da minha rotina. Estou fisicamente cansada. Minhas pernas doem. Estou cansada de mim e de todas as minhas limitações. Minhas limitações… elas me estressam. Como hoje, lá estava eu na reunião e quando ia falar meu coração disparou e todo o resto do meu corpo travou. Eu conseguia ouvir meu coração batendo e corei imaginando que todos na sala também conseguiam. Claro que isso é ridículo. Era só eu e eu numa batalha estúpida que eu sempre perco.

Eu to cansada de tudo mesmo. To exausta. To cansada da minha impotência, dos meus erros, do meu sono excessivo, do meu cansaço em si. Eu to cansada também dos meus pensamentos. Tenho tanta vergonha deles. To cansada das escolhas que faço e das que não faço. Eu tenho a sensação de que está tudo errado. De que está tudo fora do lugar. Tudo mesmo. Eu estou vivendo como se estivesse em um sonho e em algum momento eu fosse acordar e as coisas fariam sentido. Mas eu não to sonhando. Tenho certeza disso porque me belisco com frequência para conferir e porque gosto. É, eu gosto da dor, mas não quero falar disso também.

This social responsibility
It’s killing me
Inside, yeah

Nem sei onde to querendo chegar. No texto e na vida. Não sei mesmo. E me cobram isso o tempo todo. Comecei a escrever “eu só quero…” mas adivinha? Eu não sei nem isso. Não sei o que eu quero. Você me entende? Entende mesmo? Não sei no geral, mas agora eu só queria alguém que me dissesse que ta tudo bem eu não saber nada e me sentir perdida. E um abraço. É, um abraço provavelmente cairia bem.

(aceito chocolate também)

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