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Jul 10, 2017 · 2 min read

Oi. Há muito tempo que não escrevo para/sobre ti. Há muito tempo sem longos e-mails e nem mesmo uma cartinha curta enviada pelos correios. Você sabe o quanto acho um charme — apesar de todas as tecnologias imediatas — me comunicar por cartas. A demora da chegada, a espera da resposta, a ideia de tocar palavras que saíram da sua mão, da sua caligrafia tremida de quem escreveu às pressas com o papel no colo.

Estava arrumando meu quarto, coisas velhas, e encontrei uma caixinha de entrega que recebi de ti. Aquela do ovo de páscoa. No ano que não recebi nenhum ovo de páscoa da família e senti o peso da vida adulta da forma mais desagradável — me privando de chocolates — ganhei um de ti. Você lembra o que escreveu no bilhete? “Nenhuma criança merece ficar sem receber ovo de páscoa.” Isso me rendeu um sorrisão.

Não joguei a caixa fora. O bilhete ainda está lá, o embrulho do ovo também. Isso não é qualquer coisa, não sou de guardar tralhas.

Eu tenho pensado muito sobre ti, sobre a relevância que teve e ainda tem na minha vida. Essa semana te falei da coisa mais importante que você já me disse: “nunca se desculpe por ser quem você é.” e você nem lembrava, mas pra mim foi tão importante e eu levo comigo sempre. Obrigada por isso. É engraçado a importância que temos na vida das pessoas e nem nos damos conta disso. Você é uma das melhores pessoas que conheço e eu te amo tanto.

É, eu te amo. Sem frio na barriga, sem arrependimento, sem espera por reciprocidade, sem ciumes, sem tristeza, sem nenhuma angustia. É muito bom amar assim.

Eu nem sei o propósito disso aqui. Acho que eu só precisava ponderar sobre um monte de coisa mal resolvida e escrever ajuda, sentimentos que só passei por cima, que não tive tempo de lidar antes. Não vou julgar o meu eu do passado, só ele sabia o que era melhor para mim no momento. Eu só sinto muito por ter sido tão descuidada contigo. Você construiu sua imagem por tanto tempo que eu acabei acreditando nela e desacreditando de qualquer sentimento que pudesse existir. Realmente sinto muito pela minha falta de jeito no final.

Mas passou, ne? To feliz em escrever com otimismo sobre ti. Sem lamúrias, sem dor, sem nenhum tipo de autocrítica por sentir. To muito feliz por ter passado por isso e finalmente poder nos ver de forma positiva. Minha paixão — e digo minha, pois não me atrevo a falar por você — foi tempestade, o que ficou é arco-íris. (Nenhuma piadinha sobre amizade colorida, por favor.)

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    é claro que o eu poético não sou eu, que loucura, quem iria se expor assim?

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