Por que escrever os clássicos?
Vou perguntar a meu pai sobre a infância dele em Ponta Porã e sobre o tiro que ele tomou quando entrou na frente da arma que meu avô apontava a meu bisavô. Talvez eu escreva um livro sobre isso.
Talvez, à maneira de Steve Toltz em A Fraction Of The Whole, eu junte mentiras e recordações de meus antepassados e escreva um romance enorme.
Por que escrever? Só porque eu tirava boas notas em redação? Também tirava boas notas em biologia e jamais quis operar alguém.
Pode ser que eu queira escrever porque não encontrei as histórias que eu queria ler e por isso tenha que escrevê-las, como me diz o @MarceloFerlin. Comecei a escrever um roteiro por isto na década passada, não acabei porque parte das razões que me fizeram escrevê-lo deixaram de existir. Mas posso aproveitá-lo, alterá-lo e concluí-lo.
Também pode ser que eu não tenha escrito as histórias que queria porque eu ainda precise estudar sintaxe, e acabar a leitura da Eneida e de A Fração do Todo para rescrevê-los.
A leitura de O Cabotino, de Paulo Polzonoff Jr., tem me ajudado a responder estas perguntas. E hoje Polzonoff diz que não lembra do que escreveu.
Pensar que não estou preparado é melhor do que pensar que estou sem estar, me disseram amigos. E é escrevinhando que se é escrevinhado, disse o santo. (Não disse? Agora está escrito.)