1.
Ó Pássaro que voa embebido pelo sangue da Lebre ancestral
E que a esse sangue os antepassados do Homem devotaram o nome de crepúsculo,
Devora o fogo desta palavra
Desta palavra que é túmulo.
As montanhas de ouro foram erguidas para sermos vistos
nosso infinito reflexo.
Mas não será apenas embalado pela escura canção da lua
que me sentirei capaz de me ver realmente de perto,
de me ter concreto?
Acontece da concretude do deserto ser uma infindável erosão,
Acontece de que tudo o que é corpo e tudo o que cai
vira grão,
torna-se verso.
Ó Pássaro que arrebenta o peito desta palavra e que a pune
por desejar ser maior que os Jardins Acima,
por desejar ser mais do que a música, Morte,
Ó Pássaro, devolve-a à terra e deixe que dela suba.
Portanto, peço ao teu vulto agudo, que as nuvens assusta
e que ao homem empresta sua sagrada Fome,
Extingua o fogo desta palavra
Desta palavra que é o meu nome.
