Vanessa Campanha
Jul 22, 2017 · 3 min read

Transformar não é trocar seis por meia dúzia.

É fato, agilidade está na moda, muita gente falando, cases de sucesso, cursos, certificações, quem não aplica ou conhece está atrasado.

Legal, manifesto ágil, SCRUM, muito fácil só criar papéis, ensinar o time utilizar a ferramenta que adequa ao novo processo e paah!, somos ágeis.

Fazendo uma análise do início de nossa transformação, percebi que o que fazíamos era engarrafar a água do waterfall em um vasilhame com nome de ágil. Vendíamos a bebida como se fosse a mais nova tendência, mas continuávamos bebendo da boa e velha água do waterfall.

Já explico o porquê:

  • Aproveitávamos somente dos processos e ferramentas da metodologia, e não nos atentávamos ao principal, que eram as pessoas e interações.
  • Os papéis criados continuaram separando as responsabilidades em ilhas.
  • O Product Owner fazia a análise dos requisitos, criava as estórias e as passavam mastigadas para o time de desenvolvimento. Quando muito fazia uma reunião de grooming pra tentar explicar pelo menos os porquês das demandas.
  • Os desenvolvedores continuavam passivos na transformação, somente no aguardo de novas tarefas para executar. Ainda não tinham aprendido que também eram responsáveis por questionar, avaliar e decidir.
  • Utilizando uma ferramenta eletrônica para implantar o processo, o time não conseguia entender os objetivos das features a serem entregues, e ficavam na dependência de algum gerente dizer a todo momento qual seria o próximo passo.
  • Reunião de diária com intuito de reportar status para um gestor, já que o objetivo que lhes era passado era somente entregar demanda. Perceba que na diária, ninguém se importava com o que o outro estava fazendo, pois no fim estavam trabalhando em coisas desconexas e não conseguiam entender como colaborar.
  • Na reunião de retrospectiva o time não se sentia à vontade para falar, já que durante toda interação não teve muita liberdade de escolher ou opinar, por que na retrô faria alguma diferença?

Então entendi que a transformação não era algo tão simples, era preciso mudar o foco, entender como encaixar as pessoas e as interações nesse processo, como fazer esse mindset waterfall morrer em definitivo.

Comecei questionando a ferramenta, olhava aquele quadro eletrônico e não sentia que refletia o nosso processo, era somente uma ferramenta de repositório de demandas, que não integrava o time. Mas espera aí, qual era nosso processo??

O time não conhecia nem o seu processo, como poderia adotar um novo sem ao menos se conhecer. Era necessário dar um passo atrás. Foi então que sugeri o quadro físico, o time precisava se conhecer e esse processo precisava ser dinâmico.

Essa etapa de autoconhecimento aproximou as pessoas do time e de suas reais responsabilidades, as pessoas começaram entender seus papéis de forma natural. O interesse pela transformação começou a brotar, e comecei perceber que todos começaram caminhar rumo a uma mesma meta.

Falta muito, mas muito mesmo para o time se considerar realmente ágil, o processo de transformação só começou. Olhar para dentro foi realmente um passo importante, e admitir que ser ágil não é fácil e precisa de muito estudo, aprendizagem e, principalmente, uma mudança de cultura.

Evolução do quadro:

Transformando e aprendendo!

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade