Transformar não é trocar seis por meia dúzia.
É fato, agilidade está na moda, muita gente falando, cases de sucesso, cursos, certificações, quem não aplica ou conhece está atrasado.
Legal, manifesto ágil, SCRUM, muito fácil só criar papéis, ensinar o time utilizar a ferramenta que adequa ao novo processo e paah!, somos ágeis.

Fazendo uma análise do início de nossa transformação, percebi que o que fazíamos era engarrafar a água do waterfall em um vasilhame com nome de ágil. Vendíamos a bebida como se fosse a mais nova tendência, mas continuávamos bebendo da boa e velha água do waterfall.
Já explico o porquê:
- Aproveitávamos somente dos processos e ferramentas da metodologia, e não nos atentávamos ao principal, que eram as pessoas e interações.
- Os papéis criados continuaram separando as responsabilidades em ilhas.
- O Product Owner fazia a análise dos requisitos, criava as estórias e as passavam mastigadas para o time de desenvolvimento. Quando muito fazia uma reunião de grooming pra tentar explicar pelo menos os porquês das demandas.
- Os desenvolvedores continuavam passivos na transformação, somente no aguardo de novas tarefas para executar. Ainda não tinham aprendido que também eram responsáveis por questionar, avaliar e decidir.
- Utilizando uma ferramenta eletrônica para implantar o processo, o time não conseguia entender os objetivos das features a serem entregues, e ficavam na dependência de algum gerente dizer a todo momento qual seria o próximo passo.
- Reunião de diária com intuito de reportar status para um gestor, já que o objetivo que lhes era passado era somente entregar demanda. Perceba que na diária, ninguém se importava com o que o outro estava fazendo, pois no fim estavam trabalhando em coisas desconexas e não conseguiam entender como colaborar.
- Na reunião de retrospectiva o time não se sentia à vontade para falar, já que durante toda interação não teve muita liberdade de escolher ou opinar, por que na retrô faria alguma diferença?
Então entendi que a transformação não era algo tão simples, era preciso mudar o foco, entender como encaixar as pessoas e as interações nesse processo, como fazer esse mindset waterfall morrer em definitivo.
Comecei questionando a ferramenta, olhava aquele quadro eletrônico e não sentia que refletia o nosso processo, era somente uma ferramenta de repositório de demandas, que não integrava o time. Mas espera aí, qual era nosso processo??

O time não conhecia nem o seu processo, como poderia adotar um novo sem ao menos se conhecer. Era necessário dar um passo atrás. Foi então que sugeri o quadro físico, o time precisava se conhecer e esse processo precisava ser dinâmico.
Essa etapa de autoconhecimento aproximou as pessoas do time e de suas reais responsabilidades, as pessoas começaram entender seus papéis de forma natural. O interesse pela transformação começou a brotar, e comecei perceber que todos começaram caminhar rumo a uma mesma meta.
Falta muito, mas muito mesmo para o time se considerar realmente ágil, o processo de transformação só começou. Olhar para dentro foi realmente um passo importante, e admitir que ser ágil não é fácil e precisa de muito estudo, aprendizagem e, principalmente, uma mudança de cultura.
Evolução do quadro:




Transformando e aprendendo!