ENTREVISTA: ELSON PEREIRA (PSOL)

VOTA FLORIPA: Quais as suas propostas de políticas públicas para as mulheres?

ELSON: Eu, como urbanista, tenho estudado bastante a questão da cidade e a gente nota que as cidades são planejadas por homens e para homens. Os equipamentos, por exemplo, de espaços públicos são sempre equipamentos voltados para a atividade masculina e pouco voltado para a especificidade e o modo de viver da mulher. Além disso, a cidade apresenta muitos lugares inseguros, principalmente para a mulher. Com a falta de iluminação, a questão de corredores pouco frequentados, isso é uma visão masculina da cidade. Nós possuímos propostas muito simples, mas que podem fazer uma diferença bastante grande para às mulheres. Por exemplo, os ônibus, a partir de determinado horários, passam a se tornar inseguro para a mulher, a qual sofre assédio dentro do ônibus. E também, as vezes os pontos de ônibus são muito distanciados do destino final da mulher. Eu estou propondo que, a partir de determinado horário da noite, o motorista do ônibus tenha autorização para parar o ônibus o mais próximo possível do destino da mulher. Pode parecer uma coisa muito pequena, mas possui um efeito muito grande na sensação de segurança.

VOTA FLORIPA: Qual o projeto de mobilidade urbana para o seu governo? Como fazer a ligação entre todos os modais?

ELSON: São dois princípios: multimodalidade e a intermodalidade. A multimodalidade é a democratização da maneira de você se locomover na cidade: a pé, de bicicleta, de ônibus, de carro ou de carona. Então, isso só é possível se eu tiver condições para me locomover dessas formas. Eu posso me locomover a pé se eu tiver aquilo que nós chamamos de “caminhabilidade” nas cidades, que as calçadas sejam adequadas. Não só para caminhar, mas também para cadeirantes ou uma mãe com um carrinho de bebê. O segundo, o que nós chamamos de modais não motorizados, como a bicicleta. É preciso ter um sistema cicloviário que seja conectado e que não sofra interrupções. Como se você andasse de carro e acabasse a rua, o que eu faço com o carro? Coloco o carro na mão e vou? Essa conectividade do sistema viário é necessária para que a bicicleta se transforme em um modo de mobilidade urbano e não apenas um modo de lazer. O que é importante também, mas é preciso que a pessoa possa usar a bicicleta para ir de um ponto ao outro, para trabalhar ou para estudar. O aspecto é do modo coletivo do transporte, soma transporte coletivo rodoviário e transporte coletivo hidroviário, o qual em Florianópolis é muito pouco explorado. Existe um hidroviário na Lagoa, por exemplo, mas ele não é conectado com tarifa do ônibus. Então, um morador da Costa da Lagoa tem que pagar a barca e depois tem que pagar o ônibus também para o centro. Então a gente tem que trabalhar com uma tarifa única e aumentar, inclusive, na própria Lagoa, esse transporte, por exemplo na Barra da Lagoa. As baías são as hidrovias prontas. Nós precisamos colocar os pontos de embarque e desembarque e o modal, o veículo para fazer isso. Então é preciso, se não fizer isso num primeiro ou segunda ano, estabelecer as bases para se colocar isso em prática. O sistema de transporte coletivo precisa ser convidativo, principalmente no aspecto dele ter um preço mais baixo, e precisa ser mais rápido que o carro. Como o ônibus vai ser mais rápido que o carro? Quando ele tiver prioridade no sistema viário, quando eu passar de ônibus e olhar pela janela e ver um carro parado. E aí, o motorista do carro olha e pensa: amanhã eu venho de ônibus, vou mais rápido. Então, é investir fortemente no modal coletivo. Com tudo isso, você vai atrair pessoas para usar o sistema coletivo, o sistema não motorizado e você vai ter menos carros andando na rua. Com menos carros, o custo com infraestruturas de viadutos e alargamento de estrada são bem menores. Parece simples, né? Mas é visão de mundo. É preciso ter essa visão de mundo!

VOTA FLORIPA: Qual a posição do candidato quanto à concessão dos ônibus?

ELSON: Não é só a concessão que é problemática, há muito tempo que a gente tem que estar sujeito a essa concessão, que gente não pode participar, inclusive a própria forma de discussão da concessão foi muito pouco democrática. Mas, é também, a forma como hoje é feita o transporte coletivo em Florianópolis, a partir da ideia de terminais urbanos que são pagos, cada vez que você usa o transporte coletivo você paga na sua tarifa a entrada e a saída nos terminais urbanos da Cotisa. Isso o Tribunal de Contas do Estado, ele já indicou que a prefeitura vai pagar mais no contrato com a Cotisa, acima do mercado, acima do devido se fosse pelo mercado. 23 milhões de reais em uma prefeitura que está com problema sério de caixa, então nós vamos rever essas concessões e ver dentro da legalidade o quanto nós podemos avançar e certamente rever algumas ações. Vamos chamar as empresas para conversar e negociar.

VOTA FLORIPA: Qual o posicionamento do candidato sobre a situação dos beach clubs de Jurerê Internacional?

ELSON: Olha, nós precisamos democratizar inclusive as demolições. Nós acompanhamos agora as demolições de abrigos de canoas de pescadores. E nós não vimos a mesma eficiência em relação a esses elementos, estão também na área, pelo o que se aponta, não estão devidamente localizadas. Então, a Prefeitura não legisla sobre a lei federal, ela precisa cumprir. Possui uma hierarquia de lei e a legislação federal precisa ser cumprida.

Pergunta enviada por um seguidor:

VOTA FLORIPA: Qual a sua posição em relação a saída da ex-presidente Dilma Rousseff?

ELSON: O nosso partido é de oposição ao governo Dilma, mas ele não admitiu o golpe porque ia contra a constitucionalidade. Então um golpe sim, um golpe parlamentarista, falseado por uma legalidade que não existia. Então apesar de sempre ser oposição ao governo Dilma nós não admitimos o golpe.

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