
Para sempre
“Esquecido do passado, sem me dispersar pelas coisas futuras e transitórias, atento apenas às presentes, não é na dispersão mas na união de todas as minhas forças que procuro a palma da vocação celeste, onde ouvirei a voz de teu louvor, e onde comtemplarei tua alegria, que não vem nem passa.” — Agostinho de Hipona
Quando digo que o tempo não existe me refiro a sua criação.
É claro que em Gênesis o tempo Cronos fora criado para a criação. Se fora criado não existe.
E quando digo sobre Tempo me refiro a passado e futuro. Afirmo,passado e futuro não existem pois o presente é o que os dita.Se hoje não nascesse do ventre da minha mãe, amanhã não estaria pensando neste texto.
O presente é o único vivo pois abriga tanto o retrógrado quanto o adivinho. É o único que abriga o evento e no evento há movimento e no movimento há vida.
O passado se torna um eterno presente quando assumimos sua capacidade de dizer sobre o que há de vir. Vejo que no passado nasceu uma criança, logo posso dizer (com limitações) que amanhã ela crescerá, mas só digo isso porque hoje ela nasceu e ontem ela passou por uma gestação.
Reconheço também que D’us diz muito sobre o futuro pensando sobre o passado. Afinal, toda a história bíblica é sobre voltar para o que era, e não algo novo.Há de ser lógico este pensamento pois a eternidade é um ciclo, não há nada novo. Se fosse progressivo não seria eterno mas continuo e mutável e estas qualidades não são eternas. Então quando D’us fala, fala no presente, não pode falar antes ou depois porque vive um eterno presente.
O Tempo é evento, o Tempo é presente, o Tempo é vida.
