Superjuri: Talvez a Salvação

Essa semana ocorreu o Prêmio Multishow de Música Brasileira 2017, a premiação teve direito a pagação de peitinho da Anitta durante três músicas, um show de desafinação por parte da Pabllo Vittar, uma pequena esperança de algo que trouxesse uma variedade ao ver Karol Conka e Ludmilla cantando, respectivamente, músicas da Zélia Duncan e da Elza Soares e também tivemos Luan Santana, Simone & Simaria, Anitta e Joelma ganhando prêmios relacionados a melhor cantor, melhor grupo, melhor cantora e melhor show. Apesar de tudo isso, apareceu a parte que é considerada o “patinho feio” do público para salvar a premiação: o Superjuri.

O foco principal da premiação é os votos dos internautas, aos quais votam em cantores, grupos e bandas por puro fanatismo, modismo e o simples fato que são músicas chicletes da qual escutamos dentro de nossos carros, em nossas TVs, nos programas da manhã, da tarde e da noite, no banheiro de um estabelecimento, na rua e que tendem a entrar em nossas cabeças igual praga e fazer com que viciemos nessas músicas (Já fui viciado em escutar “Paradinha” mesmo não gostando das músicas da cantora Anitta e isso se deve puramente ao fato de que essa música estava tocando em tudo quanto é canto) de forma rápida e quase não possível de ser notado o tamanho marketing em que todo esse hype está envolvido.

O que mais me assusta é que parece que cada ano que passa, a premiação que tem as apresentações, o voto do juri popular e o voto do Superjuri, parece ficar cada vez mais desinteressante e baseado em músicos que não deveriam estar representando o que, na teoria, está sendo premiado no evento: a nata da música brasileira do ano a qual o prêmio está premiando. No juri popular desse ano, o único que fugia dos ritmos funk, sertanejo, pagode, brega e pop era o cantor Tiago Iorc, era o mais próximo que o povo que curte rock, MPB, folk e outros ritmos poderiam se sentir representados.

Nos últimos anos, o Superjuri tem representado nessa transmissão uma análise mais voltada ao que importa mesmo numa premiação musical: a música. No Superjuri desse ano tivemos Chico Buarque ganhando como Canção do Ano com a música “As Caravanas” (no juri popular, a categoria semelhante teve como vencedora “Sim ou Não” da cantora Anitta com o músico Maluma) que faz um retrato do Rio de Janeiro, o rapper Rincon Sapiência como artista revelação do ano que ganhou justamente, tendo em vista músicas como “Ponta de Lança”, “Linhas de Soco” e “Meu Bloco”(no juri popular, uma categoria semelhante teve como vencedora a desafinada Pabllo Vittar), e também tivemos a banda O Terno ganhando na categoria Melhor Direção — Clipe com a música “Não Espero Mais” (enquanto no juri popular, na categoria de melhor clipe “Acordando o Prédio” do cantor sertanejo Luan Santana venceu).

Ao ver o resultado do Superjuri, fui dar uma fuçada no Twitter e me deparo espantado com uma situação, muitas pessoas falando que o Superjuri é inútil, pois premia músicos que esses mesmos indivíduos não conhecem, e que músicas como “As Caravanas” não poderiam ganhar porque segundo esses tweets “ninguém conhece” e que Chico já é algo ultrapassado. Bom, vamos a alguns detalhes que alguns parecem não saber. Primeiro de tudo, Galanga Livre, álbum do Rincon Sapiência, possui uma sonoridade magnífica. Não conhece? Procure ouvir. Segundo, Chico Buarque é irrelevante e ninguém liga mais? Ok, fale isso para ele que já está com quase todos os shows da turnê dele no ano que vem com ingressos esgotados. Terceiro, alguns diziam que ninguém conhecia os indicados e que maior parte não possuía significância algumas comparados aos que venceram e concorreram no juri popular, por isso, vai uma lista abaixo, com algumas informações importantes:

  • BaianaSystem (Tocou no Carnaval de Salvador 2017, Lollapalooza 2017 e Rock In Rio 2017)
  • Criolo (Tocou no Rock In Rio 2017, Lollapalooza 2013, Lollapalooza 2017 e tocou mais de 3 vezes no Festival João Rock)
  • Chico Buarque (Dispenso explicações)
  • Rincon Sapiência (Confirmado no Lollapalooza 2018)
  • Johnny Hooker (Tocou no Rock In Rio 2017)
  • Liniker (Tocou no Rock In Rio 2017 e já confirmado no Lollapalooza 2018)

Enfim, a conclusão que dá para chegar é que o Brasil passa por um momento de uma overdose de jabás, empresários, hype na internet e de cantores e grupos medianos que ganham um imenso público, principalmente de jovens, que valorizam letras sem grandes sentidos e sem uma grande produção, enquanto temos músicos geniais novos surgindo, como por exemplo Russo Passapusso, vocalista da banda BaianaSystem. No meio de tudo isso, prefiro seguir no caminho contrário ao grande público e enquanto escuto bandas de real valor e que não possuem todo esse hype e marketing dos premiados do juri popular, eu reforço o meu pensamento e meu pedido: não deixem que o Superjuri morra, pois ele é o que resta de uma premiação a música brasileira. Viva o Superjuri!