No passinho do FUNK

Muitos talvez não saibam, mas o funk fala mais do que suas letras aparentam dizer: é uma cultura, um estilo de vida e um meio de representatividade social.

Por: Aline Bandeira, Carolina Chassot, Daniel Vidal, João Victor Teixeira e Vitor Alves

ORIGEM

O funk é uma mistura de jazz, soul e Rhythm and blues originado nos Estados Unidos. Quando um grupo de afro-americanos decidiram criar uma nova forma de música ritmica e dançante.

O FUNK NO BRASIL

Na verdade, o funk se originou a partir da soul music, tendo uma batida mais pronunciada e algumas influências do R&B, rock e da música psicodélica. As características desse estilo musical são: frases repetidas e marcantes, uma seção de metais forte, rítmica e uma batida ousada e dançante.

O funk carioca é um estilo musical oriundo das favelas do Rio de Janeiro. Apesar do nome, é diferente do funk originário dos Estados Unidos. Isso ocorreu porque a partir dos anos 1970, começaram a ser realizados bailes da pesada, black, soul, shaft ou funk no Rio de Janeiro. Com o tempo, os DJs foram buscando outros ritmos de música negra, mas o nome original permaneceu.

O funk carioca, basicamente ligado ao público jovem, tornou-se um dos maiores fenômenos de massa do Brasil.

Linha do tempo sobre a origem do funk ilustra história do gênero musical

FUNK OSTENTAÇÃO

O funk ostentação, surgido em 2008, na cidade de São Paulo, rapidamente se tornou tendência entre os jovens, desbancando até mesmo o funk proibidão — originalmente do Rio de Janeiro — através de vídeo clipes de sucesso no Youtube. Nesse estilo musical, os artistas costumam exibir marcas de luxo em roupas, relógios, correntes, tênis, carros, motos e etc. É importante ressaltar que essas marcas não se incomodaram com isso, pois consideram uma publicidade espontânea.

Um dos precursores desse estilo, MC Boy do Charme protagonizou o primeiro clip de funk ostentação, sob direção de Kondzilla, responsável por criar a identidade visual do movimento.

A primeira canção do estilo foi gravada pelos MCs Backdi e Bio G3 em setembro de 2008, intitulada “Bonde da Juju”, fazendo menção clara para a ostentação. Após a realização de diversos festivais do gênero no estado, vários cantores foram sendo descobertos, enquanto outros acabaram se readaptando ao funk ostentaçã que alcançou a primeira exibição nacional com o lançamento do videoclipe “Megane”, do cantor MC Boy do Charmes, em 2011. Quando tornou-se de senso comum que o funk ostentação seria melhor representado no formato audiovisual, o cinegrafista KondZilla inovou ao ser o primeiro a produzir conteúdos visuais.


A ROUPA DO FUNK
Principal loja relacionada ao funk no Camelódromo de Porto Alegre/Créditos: Daniel Vidal

O camelódromo de Porto Alegre é outro local onde a moda funk se faz muito presente. Com diversas lojas vendendo produtos sobre o tema, o Camelódromo serve de “meca” para o estilo no centro da cidade. Sobre a criação e comercialização dos produtos, o comerciante Eniéderson, da loja Black Jay’s, explica: “A idéia é comercializar produtos que seriam inalcançaveis economicamente à classe mais baixa.” Eniéderson prossegue, ao som de batidas de funk e hip-hop — que servem de trilha sonora para loja — contando como se dá o processo de fabricação das roupas e acessórios: “ Nós enviamos as peças cruas para a bordagem e escolhemos a marca que queremos inserir nos produtos. Um casaco da marca Jordan, por exemplo, mais ligado ao mundo do rap, custa 500 reais mais barato aqui. E isso facilita o acesso àquela pessoa mais pobre, que vê a marca sendo usada pelos ícones famosos e quer também fazer parte desse mundo.”

Já o vendedor Gabriel, da Loja dos Guris, conta qual a marca ligada à moda funk mais requisitada pelo público: “O que mais sai aqui é peças da Oakley e da Quiksilver. Além disso, muitas camisas de basquete.” Gabriel, também, relata a forma de abordagem com o público: “Nós usamos o Facebook e o Instagram como mecanismos de exposição dos nossos produtos. Toda roupa, boné, calça, relógio e etc é fotografada e publicada nas redes sociais.” Para finalizar, Gabriel, interrompido diversas vezes por solicitações de clientes, conta que as lojas de roupas no Camelódromo sobrevivem devido à cultura funk/pop/rap: “Os estabelecimentos aqui estão sempre com demanda de público. Vende-se muito aqui.”

FUNK É UMA QUESTÃO DE ESTILO

Em conversa com Mc Jefinho, o cantor nos contou a sua forma de ver o funk:

P. Existe um padrão de estilo no funk e o mc precisa seguir esse estilo?

R. Respondendo por mim, não existe um PADRÃO e o mc não precisa seguir um padrão determinado. Meu padrão de estilo é o que me veste bem, independente de marcas, etc.

P. O que você quer transmitir com as roupas que usa?

R. Pretendo transmitir o bem estar somente.

P. Tu tens muitos fãs que seguem teu estilo?

R. Tem quem siga sim o que eu visto por gostar do estilo do dia, da foto que posto, etc.

P. O funk é muito mais que um estilo musical, o funk dita moda, é um estilo de vida, como você definiria o funk?

R. O funk dita moda sim, o funk é um grito de liberdade de expressão fortíssimo.

Confira aqui o principal sucesso do MC Jefinho

FUNK ALÉM DO ESTILO

Apesar do funk ostentação e proibidão serem tendência entre os jovens do Brasil, a crise econômica e escândalos na política do país abriu espaço para o funk consciente, onde a figura de MC Garden aparece como principal representante. Com a música “Isso é Brasil”, cujo o clipe atingiu 4 milhões de visualizações, o cantor critica desde a exploração de bolivianos à falta de investimento do governo em educação no Brasil.

Funk consciente invade as ruas do Brasil

Mais do que um estilo de roupa e música, o funk é um conceito social. Segundo Edgar Silva, psicólogo especializado em conceito de sociedade, o funk traz a tona uma problemática da questão de classes. "O funk é liberdade, é não dever nada para alguém. Eles levam nas roupas, nas músicas e na maneira como vivem um grito de expressão" relatou. Além disso, confessou que os Funkeiros Ostentação, que foram bem-sucedidos na vida, servem de inspiração para quem ainda vive nesta situação. "Ver que alguém obteve sucesso, passando pelas dificuldades parecidas, é uma inspiração", explica Edgar Silva. "Quando o funkeiro consegue o sucesso opta por mostrar mesmo, um grito de: Cheguei aqui! Nesta necessidade de gritar, surgiu o funk ostentação" finalizou.

Para encerrar, fica de inspiração para o leitor as preciosas palavras de uma pessoa que representa a extravagância do funk — pelo fato de não se importar com a opinião do público. Com vocês, Tati Quebra Barraco: