EMBRAPII: cooperação gerando altos resultados em inovação

“Enquanto uns choram, outros vendem lenços.”

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Aug 25, 2017 · 5 min read

Foi essa famosa frase que escutei de um empresário com quem conversava em um dos eventos de inovação que fui neste ano. Ele se referia ao projeto fechado com uma das unidades EMBRAPII.

Tenho dedicado meus últimos quatro anos ao empreendedorismo e à inovação. Neste ano fui a dezenas de eventos em São Paulo que abordavam a temática. Em grande parte deles, a EMBRAPII é destacada como um modelo que vem dando certo, do ponto de vista do empresariado, dos centros de pesquisa e do governo.

Temos visto muitas coisas ruins sobre o cenário político e econômico brasileiro, mas, sem dúvidas, a EMBRAPII é o copo meio cheio quando se trata de políticas públicas para alavancar o Brasil.

Mas em que consiste este modelo tão elogiado por perspectivas tão diversas? É sobre isso que vamos tratar aqui.

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) foi criada em 2011 tendo como missão “contribuir para o desenvolvimento da inovação na indústria brasileira através do fortalecimento de sua colaboração com institutos de pesquisas e universidades”. Inspirada na EMBRAPA e na sociedade Frauhoufer da Alemanha, o modelo EMBRAPII foca na COLABORAÇÃO. É essa a palavra que a EMBRAPII tem investido e dado tanto certo. Colaboração entre empresas e Centros de Pesquisas, públicos ou privados. Resolvendo uma dicotomia que há anos é discutida e pouco resolvida.

A EMBRAPII celebrou um contrato de gestão com o MEC e o MCTI que tem por objeto a parceria entre as partes para promover e incentivar a realização de projetos empresariais de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) voltados para setores industriais, por meio de cooperação com Instituições de Científica, Tecnológica e de Inovação (ICTs) que podem ser credenciadas como Unidades EMBRAPII. O valor global estimado é de 1,5 bilhão de reais para a aplicação no período de 6 (seis) anos.

Resumindo: a EMBRAPII credencia os Centros de Pesquisas brasileiros a partir de vários critérios rigorosos (se um Centro de Pesquisa é uma Unidade EMBRAPII ele é um bom Centro de Pesquisa) reduzindo dúvidas e desconfiança das empresas sobre onde e com quem contratar projetos de pesquisa que possui inerentemente alto risco.

A demanda vem da indústria! Não há pesquisas que saem da cabeça de pesquisador. O foco não é pesquisa de base e sim diretamente aplicada, com foco no mercado, o que estimula ainda mais a cooperação entre os ICTs e as empresas.

As unidades credenciadas passam a receber recursos para o desenvolvimento dos projetos com empresas sob acompanhamento da EMBRAPII. Os orçamentos dos projetos são financiados em até ⅓ pela EMBRAPII, as empresas devem investir no mínimo ⅓ e o restante é responsabilidade da Unidade EMBRAPII contratada.

Estes recursos EMBRAPII são de natureza não reembolsáveis e destinados antecipadamente as unidades credenciadas. Ou seja, não é um empréstimo que o ICT ou a empresa devem devolver após algum prazo.

Dessa forma, este modelo de operação confere alta agilidade nos processos para o estabelecimento de relações de cooperação entre universidades e empresas industriais para inovação, tendo em vista que a gestão das UE são realizadas de forma semelhante à de uma empresa privada. Além disso, as unidades possuem autonomia para analisar os projetos e negociar questões contratuais, inclusive a propriedade intelectual que é negociada entre a empresa e o ICT, normalmente 50% para cada.

Operando desde 2012 um projeto‐piloto com três Institutos de Ciência e Tecnologia que constituíram unidades Embrapii (UE): Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Senai ‐ Cimatec (BA) e Instituto Nacional de Tecnologia (INT), possui hoje mais de 35 Unidades Credenciadas e já foram concluídos 36 projetos, gerando 35 patentes.

Vejo na EMBRAPII aquele tipo de modelo de negócio que é bom para todo mundo, em que todos saem ganhando. As empresas, os centros de pesquisa e o governo.

Empresa: A empresa resolve um problema dela por meio de P&D, já que a demanda parte obrigatoriamente da indústria, com os maiores especialistas no assunto, tendo em vista que são centros de pesquisa altamente especializados. Além disso, reduz o risco em 2/3, pois investe somente o restante de todo o projeto, ficando ainda com aproximadamente 50% da propriedade intelectual gerada.

Centro de Pesquisa: Recebe recursos governamentais para o desenvolvimento de projetos, se relaciona com empresas e gera pesquisas altamente aplicadas resolvendo problemas da sociedade, além de obter aproximadamente 50% da propriedade intelectual gerada.

Governo: O investimento em inovação do Brasil gira em torno de 1,2% do PIB brasileiro. Este percentual está distante dos 3, 4 e até 5% do PIB em inovação dos países mais desenvolvidos, como Coréia do Sul, Japão e Estados Unidos.

Entretanto, há uma peculiaridade tupiniquim. Diferentemente dos demais países, o montante investido em inovação do setor privado supera o investimento público, enquanto no Brasil ocorre o contrário.

Por meio do modelo EMBRAPII, o governo investe 33% enquanto os demais 67% provém de outras fontes, invertendo a proporção público/privada e aproximando dos modelos mais inovadores. Estimula todos os setores a investirem em inovação e torna a indústria brasileira mais competitiva.

OPORTUNIDADES PARA MPEs

Recentemente, o SEBRAE celebrou convênio com a EMBRAPII para levar a inovação também para as Micro e Pequenas Empresas, microempreendedores individuais e startups de base tecnológica.

A EMBRAPII aporta um terço como explicado e os dois terços restantes serão divididos entre a empresa, o Sebrae e a unidade Embrapii (os recursos do Sebrae também são não reembolsáveis).

O empresário deve dar uma contrapartida de no mínimo 10% do valor do projeto. Caso ainda precise de mais apoio para essa contrapartida, ele poderá buscar outras fontes de recursos financeiros, como Finep, BNDES e bancos de desenvolvimento.

INCENTIVOS FISCAIS

Além de todo o suporte público e o contato com centros de pesquisas altamente especializados, caso cumpra os requisitos, a empresa poderá ainda se beneficiar da Lei do Bem sob os recursos investidos. Confira nosso artigo sobre essa oportunidade.

E você, o que está esperando para desenvolver P&D na sua empresa de forma aberta e colaborativa? Tornando seu negócio inovador e competitivo no cenário mundial?

Entre em contato conosco para facilitar o processo de inovação na sua empresa!

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Facilitating the innovation process. www.vtxhub.com.br

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