A Imortalidade
“Isa, você ficou sabendo?” “o quê” não deve ser, deve ser alguma das loucuras dele “procura no google” não, deve ser brincadeira. Saí, e vi nada mais que borrões de carros e a placa escrito augusta, mais parecia angustia. Vi seu nome na banca de jornal e depois mais nada. Por semanas.
Deixei contigo os cadarços que você um dia amarrou e nunca mais desamarraram. Lembra? Queria saber o que diria se os visse no meio dos girassois, aqueles cadarços pretos e emaranhados. Pena não ter podido deixar o livro que te comprei que, engraçado, por coincidências do universo, aquele tinha o título “A Imortalidade”. E não te devolvi o que você me deixou. “Sin City a História de Um Assassino”
Certa vez te disse que você parecia ter perdido a identidade. Você procurou nos bolsos e disse calmo “que nada Bocó, ela ta aqui, ó”, mostrando o rg até que conservado “só tá meio amassada, mas tá aqui”. Hahahah
Hoje sou eu quem perdeu a identidade. A última vez que a vi, estava em cima da mesa, do lado de um jornal de bairro com dizeres sobre você e seus pais. Não sei se um dia a encontro de novo
