Jane Austen
Atendendo a pedidos da minha queria Isabela Rodriguez Copola, o post de hoje é temático. Ontem completaram 200 anos da morte de uma grande mulher. Escritora talentosa e com pensamento muito à frente do seu tempo, a nossa homenageada de hoje é Jane Austen:
1. Jane Austen era filha de um reverendo. Enquanto seus irmãos puderam estudar matemática, história e outros campos do conhecimento, ela e sua irmã ficaram limitadas a habilidades domésticas ou consideradas essenciais a uma esposa, como a capacidade de costurar e tocar piano
2. Entre os 11 e os 17 anos, Austen escreveu vários romances e contos sobre o cotidiano do interior da Inglaterra. Aos 14 anos, ela escreveu Amor e Amizade, um romance sobre as jovens Laura e Sofia. A história é cheia de acidentes de carruagens, assaltos e fugas
3. Com uma escrita aparentemente simples, fruto de um notável poder de observação, Jane rompeu com a tradição do romance gótico para escrever histórias muito próximas da realidade e do que se pode chamar a banalidade
4. Em 1797, Austen já havia escrito dois romances, Razão e sensibilidade (primeiramente chamado de Elinor and Marianne) e Orgulho e preconceito (originalmente First Impressions). Oferecidos pelo pai da inglesa a um editor, os livros foram rejeitados. A publicação dos títulos ocorreu só em 1811 e 1813, respectivamente, assinados com o codinome de “uma senhora”
5. Apesar de nunca ter se casado, aos vinte anos conheceu Tom Lefroy, sobrinho de uma família amiga. Na época, eles não poderiam se encontrar sozinhos, ou mesmo escrever um para o outro. Eles quebraram várias das convenções sociais da época, o que foi considerado um comportamento vergonhoso por amigos e familiares que acompanharam os acontecimentos. Contudo, ao perceber a possibilidade de um romance, os pais de Lefroy o mandaram para Londres, pois acreditavam que por ser filho de um oficial do exército, “merecia mais” que a filha de um reverendo
6. Na mesma época, começou a escrever o livro Elinor e Marianne, sobre duas irmãs: uma guiada pela prudência; outra, pelo coração. Quinze anos depois, a história foi publicada anonimamente em três volumes com o título de Razão e Sensibilidade
7. Em 1813, Austen continuou seu romance Primeiras Impressões, que foi ser publicado com o título Orgulho e Preconceito. O nome surgiu a partir de uma frase de um livro chamado Cecilia, de Fanny Burney, do qual a autora gostava. Orgulho e Preconceito foi um sucesso imediato de publicação. Segundo os críticos, o livro era “muito superior a quase todas as publicações do mesmo gênero lançadas” na época
8. Apesar de não podermos falar em feminismo na época de Jane (pois o movimento surge tempos depois de sua morte) é difícil não ver na autora resistência e afronta aos papeis tradicionais das mulheres. Um exemplo desse comportamento não convencional de Jane foi a sua decisão de não casar. No outono de 1802, Harris Bigg-Wither, vizinho no Hampshire e herdeiro de Manydown, uma propriedade invejável, surpreendeu Jane com uma proposta de casamento. Jane aceitou, para se arrepender durante a noite e recusar na manhã seguinte. Ela preferiu manter sua independência a ingressar em um casamento sem amor ou paixão
9. Na época o fato de Jane não ter se casado infelizmente a deixava dependente (financeiramente principalmente) de sua família, o que a obrigou, por muito tempo, a aceitar decisões com as quais discordava. Ela só foi ter dinheiro próprio aos 36 anos (!), quando Razão e Sensibilidade foi publicado
10. Jane Austen — ela própria ainda mais desapossada que as suas personagens — mostra em sua obra de forma contundente a precariedade das mulheres nessa posição, sem heranças, sem maridos e sem possibilidade de se sustentarem adequadamente numa atividade digna
11. Após sua morte, sua família tentou criar uma imagem que queriam que as pessoas tivessem de Jane. A única imagem que existia da autora é a de um retrato que Cassandra (sua irmã) pintou e que, segundo várias fontes, não reflete a realidade. Com base nessa ilustração foi criado um retrato da escritora (o mais conhecido, por sinal), com alterações à sua pessoa que incluíram o desenho de uma aliança, apesar de ela nunca ter se casado
12. Muitas pessoas têm uma percepção errada de sua obra. Onde muitos leem romance, na verdade há crítica. A “verdade universalmente reconhecida” na obra Orgulho e Preconceito de Austen, de que “um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa”, é colocada com leve sarcasmo, e não com seriedade. Ao parodiar a linguagem dos tratados filosóficos, a autora zomba da suposição simplista que está apresentando (o que tem sido bastante ignorado nos últimos 200 anos)
13. Seu rosto passará a estampar a nota de dez libras (fato a ser comemorado, considerando que a porcentagem de homens estampados em notas e moedas ao redor do mundo é de cerca de 92%), e ainda será lançada uma moeda especial de suas libras no sul da Inglaterra em homenagem ao aniversário de sua morte
Fontes:
http://www.huffpostbrasil.com/entry/jane-austen-chick-lit-icon_us_596ce868e4b010d77672b528
http://observador.pt/especiais/talento-e-ironia-jane-austen-200-anos-depois/
Para ler mais histórias: https://medium.com/@deborahnery
Até a próxima quarta!

