Tereza de Benguela

Aproveitando o post temático da semana passada, repito a dose essa semana. Ontem foi o dia internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, celebrado desde 1992. Diante disso, nada mais justo que homenagear uma mulher negra cuja força e história merecem ser conhecidas e celebradas por todas nós. Apresento Tereza de Benguela:

1. Ficou conhecida no seu tempo como Rainha Tereza;
2. Viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso e liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, revelando-se uma líder ainda mais implacável e obstinada e resistindo bravamente à escravidão por mais de 20 anos. O quilombo abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios e resistiu de 1730 até o final do século;
3. Tereza comandava a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantinha a segurança da comunidade com as armas trocadas com brancos ou resgatadas em incursões nos lugares próximos.
4. Enfrentou diversas batidas da Coroa Portuguesa e garantiu a segurança e a sobrevivência de mais de 100 pessoas;
5. Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento, cujas reuniões ocorriam toda semana, e de um sistema de defesa;
6. O quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos :“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho (…). Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo” (Anal de Vila Bela do ano de 1770);
7. Infelizmente, foi capturada em 1770 e morta. Decepada, teve sua cabeça empalada num poste e colocada no meio da praça do quilombo;
8. Eternizada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, cujo título é “Tereza de Benguela — Uma Rainha Negra no Pantanal”.
9. Apesar de sua importância, sua história demorou a ganhar projeção. Foram necessários quase 250 anos para que seu reconhecimento começa a aparecer: uma lei aprovada em 2014 institui 25 de julho como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra.

Fontes:
https://www.geledes.org.br/tereza-de-benguela-uma-heroina…/…
http://gshow.globo.com/…/conheca-historia-de-tereza-de-beng…
http://almapreta.com/…/tereza-de-benguela-a-lideranca-negra…

Para mais histórias: https://medium.com/@deborahnery

Obrigada pela indicação, Mônica Naomi Murayama!

Até a próxima quarta-feira!

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