Sobre o último domingo

Eu não estava em casa. Por alguma dessas coincidências trágicas — não trágica como uma guerra, but still –, eu não estava lá.

O dia parecia ter selecionado as horas mais enfadonhas em um único e desconfortável conjunto e etiquetado com o meu nome.

Recebi o pacote com a carranca apropriada e passei a contar as horas pelo número de reclamações e bufadas que eu já emitia sem perceber.

A chuva, que fez questão de alcançar em dois pontos diferentes da cidade — como se soubesse que meu guarda-chuva estava em segurança, em algum lugar bem distante do meu mau humor — nem me surpreendeu. “Perfect”, pensei.

Cheguei em casa torcendo para que ali as horas voassem e eu pudesse riscar aquele dia para sempre.

Ao abrir a porta vi Camila sorrindo.

– Advinha quem ficou em pé sozinho pela primeira vez?

Sempre achei que apenas pessoas de capa poderiam salvar o dia. Camila e Vicente provaram o contrário.

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