O desespero da busca por um amor. A solidão das noites vazias e a exigência do “par perfeito”

Solteira a tanto tempo, você reluta em aceitar que ficará sozinha e que não vai achar o seu tão famoso príncipe encantado. Sofre sozinha e calada afogando as mágoas no travesseiro. A ideia de passar o resto da vida sem uma cia faz parte dos seus mais profundos pesadelos.

Seus amigos te perguntam o motivo de estar solteira e a resposta de que é feliz assim, vem de forma automática vestindo a carcaça dura e fria para não demonstrar seu segredo mais bem guardado e passar a imagem da soberana amazona que se vira sozinha e não depende de ninguém pra ser feliz.

Você leu textos e mais textos sobre amor próprio, sobre “ser um bom ímpar pra depois querer ser um bom par” que já até decorou as frases clichês sobre como ser auto suficiente, anda por aí repetindo-as como se fosse um mantra pra que talvez com a verbalização possa internalizar os ensinamentos. Mas a grande verdade, é que você quer desesperadamente alguém. Cada cena romântica nos filmes, cada dia dos namorados ou convite de casamento que recebe são lágrimas e mais lágrimas derramadas no travesseiro.

Você já passou daquela fase de aceitar qualquer um e querer alguém a qualquer preço, mesmo que a peça no quebra cabeça seja diferente forçando-a a preencher o espaço vazio que não pertence a ela, sim, você já fez isso tantas vezes que já até perdeu a conta, mas hoje, pelo contrário, foram tantas desilusões que se tornou ainda mais exigente, buscando sempre “a pessoa perfeita”.

Cada um que se aproxima você pensa “é esse!” Mas logo seu olho clínico em uma visão quase de raio X descobre algum defeito, por menor que ele seja e a possibilidade de dar uma chance para que se conheçam melhor vai pelo ralo. Afinal, você não tem tempo, se aceitar aquele convite para conversarem pode perder exatamente a única chance de conhecer o homem da sua vida pelo qual você espera a tanto tempo.

Os pensamentos mais sombrios te surgem, uma velhice sem ter com quem compartilhar suas dores, quem irá segurar sua mão no suspiro final? Quem irá cuidar de você?

Quanto mais o tempo passa, mais o desespero cresce, o seu “prazo de validade” está quase no fim, suas chances da família do comercial de margarina que lhe foi vendida na infância começam a ficar cada vez mais distantes, as noites solitárias aumentam a intensidade, mas você decide aprender a lhe dar com elas, aprender a conviver com a tristeza da falta de cia e a frustração dos seus sonhos, porque afinal o erro foi seu, depositou-os em uma relação imaginária e agora só te resta o arrependimento.

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