Sentindo a pele ardendo naquele beijo que parecia sugar a alma, o calor subindo-lhe a face, notou que havia algo diferente. No restante da noite as conversas, o carinho, as trocas de olhares, o cafuné, a química… mas a noite chega ao fim, chega a hora da despedida, a troca de telefones e as promessas de se falarem novamente no dia seguinte.

Quando ele vai embora você pensa em como a noite foi boa, em como aquela reciprocidade foi maravilhosa, onde tudo que importava eram vocês dois ali, despidos de qualquer armadura. Então você se pune, se culpa relembrando de como já sofreu com o que vem depois daquilo, de como a dor é grande, de todas as vezes que se entregou e criou essa linda imagem do outro e ao perceber que a imagem que criou era fantasia sua, você se decepcionou, perdeu o encanto e sofreu com isso, se odiando por ter sido cego, se odiando por ser tão ingênuo, se odiando por ter se entregado e ter criado essa “pessoa perfeita” e imaginaria… aí você se fecha, decide não ligar, não deixar crescer esse sentimento novo, porque já se feriu, porque já se enganou, e deixa ir aquela possibilidade de uma boa cia, de novas experiências, de algo novo nascer, porque não teve forças pra lutar contra esse medo que chega a ser maior que você, aí você some, não responde as mensagens, e volta a viver escondido…