Uma pequena saga

Meu nome é Wallace, estou com 22 anos e sou um economista morador de São Gonçalo/RJ. Contando rapidamente minha história, começarei pelo ano de 2012, quando comecei um programa de iniciação científica (IC) com mais dois amigos no CEFET. Apareceu sobre nossos ombros a responsabilidade de resolver um problema grande: como ajudar jovens no Brasil a melhorar hábitos de poupança e investimentos. Propomos a criação de cartilhas de conscientização combinadas com aulas sobre o tema dentro da comunidade do CEFET.

Depois, resolvemos ir além: submeter a pesquisa à avaliação de três renomadas feiras científicas: a MCTEA (PA), a MOSTRATEC (RS) e a FEBRACE (SP). Com a aprovação, corremos atrás do dinheiro e conseguimos fazer as viagens. Meu maior aprendizado foi que com a diversidade do Brasil cada comunidade requer uma linguagem apropriada para falar de dinheiro, pois as necessidades e concepções dos povos são muito diferentes.

MOSTRATEC 2013 — Mauro, Wallace, Marden e Bia

Retornando ao Rio, meu primeiro desafio empresarial me esperava: contribuir para a melhoria dos processos da Universidade Corporativa (Chemtech). Trabalhei como técnico administrativo e pude conhecer como funcionava uma organização de grande porte . Fiquei surpreso com a fidelidade dos gestores com os valores da empresa, ainda que implicasse em tomar decisões difíceis. À época, o setor de óleo e gás estava em crise e exigia redução de pessoal, o que foi feito da forma mais humana possível. Como trabalhava perto do diretor, fiquei surpreso por perceber que havia da parte dele um senso de necessidade para conduzir a demissão e também de respeito com os gerentes e analistas. Percebi que, apesar das lideranças de uma empresa receberem muitos títulos e terem brilho social, são também responsáveis por manter o barco navegando em épocas de tormentas. Nesse contexto, em que já não podia contribuir com a empresa, pedi saída.

Amigo Oculto de Final de Ano na Chemtech (2014)

Seis meses depois fui convidado junto daqueles dois amigos da IC a dar uma aula em um colégio. Não demorou para sermos convidados a falar em outros colégios até que, finalmente, na véspera da palestra de um artista famoso na Semana Nacional de Educação Financeira em 2016, ele desmarcou e os organizadores do evento chamou nosso trio. Precisávamos de um nome e foi Barkus Educacional, que posteriormente se tornaria uma startup.

Enquanto a Barkus tirava meus bloqueios — insegurança e medo de exposição em público — e não me sustentava, comecei a trabalhar na Falconi onde aprendi ferramentas de gestão e a gerenciar equipes.

Confraternização de Natal — Consultores Falconi e Cliente Stone (2016)

Com o crescimento paralelo da Barkus, no final de 2016 chegou a hora de decidir por qual empresa seguir e vi que a Barkus era meu futuro. Nem todos os familiares e amigos entenderam essa transição; afinal, era a renúncia de um caminho estável para seguir um sonho grande que concretamente não me dava noção clara do quanto iria ganhar de salário, nem quanto de esforço seria necessário. Considerando apenas a paixão e o sonho grande, mergulhei no mundo empreendedor: experimentei planos de negócios, fiz MVP’s (Minimum Viable Product), interagi com clientes, e comecei a participar de comunidades empreendedoras. Participei dos processos de aceleração da Emzingo, Aliança Empreendedora, Shell Iniciativa Jovem, Impacta — Sebrae e Sling Capital.

Comunidade Aliança Empreendedora em visita ao escritório da Google SP

Em dois anos, sensibilizamos mais de 4000 jovens através de mais de 80 palestras e oficinas, fechamos 15 parcerias institucionais, alcançamos faturamento médio anual de R$8000,00, recebemos cerca de R$40000,00 de investimento de organizações sem contrapartida societária e fomos veiculados em cerca de 10 canais de mídia a nível nacional (a mais recente e que tenho mais orgulho é essa aqui).

Entrevista à TV Brasil e Aula sobre Investimento no CIEP — Niteroi

Nesse processo, aprendi a responder aos temperamentos, a ver que a organização é meio para alcançar sonhos individuais que se convergem no final. Aprendi que cada pessoa possui expectativas da liderança e também a ser empático para contribuir com o grupo. Essas experiências me fizeram acreditar que liderar é mais que acompanhar, é ter um olhar humano sobre as virtudes, os defeitos e as limitações do homem e que, acima de tudo, é preciso servir. Meu objetivo de carreira é dar continuidade a esses aprendizados; por isso, comecei a pesquisar empresas alinhadas a esses valores e encontrei na Johnson & Johnson um espaço concreto onde posso vivê-los. Por isso também estou disposto a assumir a bandeira e fazer parte do time!

Também levarei para a J&J experiências que mudaram minha forma de pensar, especialmente quanto à centralidade do trabalho na minha vida. Em vez de colocá-lo como um fim a ser conquistado abrindo mão da vida familiar, vou enxergá-lo como meio para construir amizades e ajudar pessoas a alcançar seus sonhos, o que naturalmente trará impactos sobre a satisfação dos clientes.

Meus amigos falam que sou movido por um ideal e quando tenho um objetivo de vida claro busco atrás com muita paixão; busco colocar todo o empenho possível, mobilizando pessoas e organizações para concretizá-lo. Meus hobbies são mais voltados para a espiritualidade, temas técnicos da profissão (conjuntura econômica e finanças empresariais) e empreendedorismo. Adoro falar sobre novas práticas de gestão, especialmente as aplicadas em contextos de startups de impacto social. Hoje em dia estou buscando expandir meu background cultural: ler mais textos literários e aprender a tocar algum instrumento (violão, bateria ou teclado, que são os que mais admiro).

Gostaria de ser lembrado como alguém que fez o bem, que se preocupou em ajudar as pessoas em todas as dimensões da vida, que era servo e humilde no trabalho, pois sabia que precisava das pessoas e sozinho não conseguiria ir tão longe quanto era possível. E também quero fazer o bem em muitas outras áreas, talvez ajudar com mais constância uma instituição de educação/saúde e penso, inclusive, que na J&J poderia participar de um setor responsável por essas atividades. Seria certamente muito feliz fazendo esse trabalho. No mais, quero agradecer a vocês pela oportunidade de criarem esse espaço para expressar minha história e projetos, espero nos vermos algum dia; se não, já agradeço por me estimularem a refletir sobre o passado, o presente e o futuro. Muito obrigado, de verdade!