Se você quer crescer, faça o que não ama

Em geral, uso esse espaço para tentar ajudar os outros na compreensão deste público que nos habituamos a chamar de jovens ou jovens adultos. Desta vez, gostaria de me dirigir a eles diretamente e a todos os que sofrem com as dinâmicas da adultescência, ou seja, o empreendimento de se tornar adulto após os 20 anos de idade.

Muita gente advoga pelo “faça o que você ama”; isto se tornou natural. Vivemos uma época de exaltação do individualismo a despeito de nossos problemas, em sua maioria, se originarem em uma falta de senso de comunidade que tem reduzido nossa capacidade de empatia e solidariedade. Tudo é transitório e nos encontramos fundamentalmente sozinhos no mundo, então o melhor mesmo é descobrir o que amamos fazer e priorizarmos o nosso desenvolvimento, ainda que em detrimento dos outros, das empresas, das famílias e comunidades…

Será mesmo?

Precisamos resgatar alguns dados de realidade que contradizem esse discurso. Vivemos nossa humanidade subjugados pela noção de escassez, pela qual a valoração do que apreciamos e a satisfação dos nossos desejos se relaciona com a frequência com que nos satisfazemos. Temos a percepção de que os recursos são limitados, indisponíveis ou de difícil obtenção. Neste mundo, é mais fácil vivermos juntos e articularmos desejos do que buscarmos sozinhos pelo prazer. Mas, em algum momento, nos contaram que essa tal de escassez não existia.

Parece-me que os jovens gostaram dessa ideia. E quem não gostaria? É bom pensar que não precisamos racionalizar nosso tempo, energia e outros recursos. É bom pensar que podemos fazer apenas o que gostamos e que seremos cada vez melhores fazendo apenas isso. Em outras palavras, é bom permanecer na zona de conforto, não é mesmo?

Mas não é o que esse mesmo jovem diz. O que ouvimos é que se quer incômodo, sair da zona de conforto, aventura, desenvolvimento. Oportunidades para crescer. Espere aí. Se é isso que você quer, preciso lhe contar uma coisa. Você não pode fazer o que você ama para crescer. Você precisa necessariamente se debater com assuntos dos quais não gosta, desempenhar atividades que não são atraentes e ter sucesso em entregar resultados que você jamais imaginou. E que foram difíceis de ser entregues.

Talvez você não perceba no início, mas ficará claro que isso demandará que você peça ajuda, busque estudos, conheça novas pessoas e desenvolva habilidades. Você será testado, receberá duros feedbacks, precisará repensar, planejar, adaptar o discurso e refazer alguns dos seus trabalhos. Conquistará aliados por um lado, e aprenderá de quem não gosta também. Saberá mais de si.

E, no final do percurso, tenho segurança de que você terá crescido. E que saberá disso. E mais: terá aprendido que se você quiser crescer, precisará fazer o que não ama.

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Gustavo Pessoa — CKO, Partner @Talent Matching; CKO @EduCareer

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