A crítica, a lição, e “Eu ‘Fiquei’ Loko”.

O início.

A história de todo creator começa igual: ele pega a câmera, senta e fala na frente dela; o que difere uns dos outros é o caminho que cada um segue. De 2010 pra cá, anônimos se tornaram astros, jovens se tornaram ícones dos jovens, e “falar bobagem na internet” virou uma moda, dessas que grudam, todo mundo quer entrar e fazer parte. Pois bem, Christian Figueiredo se tornou um desses jovens, que saiu do completo anonimato para o estrelato, o auge da carreira, o reconhecimento, e tudo isso, sentado em frente a câmera, falando da vida, uma vida curta que gerou 3 livros, tão curta e tão normal e nada espetacular que se tornou um filme. Mas como? Por que ele, e não você?

Como?

A primeira pergunta é fácil, e ao mesmo tempo complicada de responder, por conta da série enorme de fatores (aonde a sorte não se encaixa em nenhum), mas que vamos pontuar aqui em alguns aspectos:

1- A juventude ouviu do jovem o que é ser jovem;
2- Os pais ouviram de um jovem, o que é ser jovem hoje;
3- Um cara normal se tornou o que é, sendo quem era.

A adolescência possui um fator importante: Você quer ser ouvido, não quer ouvir, e é melhor ainda quando alguém fala por você. Pessoas como o Christian fazem exatamente o primeiro e o terceiro papel, e consegue ultrapassar a barreira do segundo. Como? Simples, ele começou adolescente, viveu a adolescência tão recentemente, que as histórias frescas são muito próximas do que vivemos, tem gente que cresceu junto com ele, agregou na vida, e se tornaram boas pessoas. Melhor ainda, os pais passaram a querer ouvir, falar menos, e tentar entender (o que parece ser um papel muito invertido, mas você só ganha a fala quando entende do assunto, se tratando de filhos, isso é ainda mais absoluto). Aqui, e na vida eu sempre achei incrível como o brasileiro era capaz de odiar o outro pelo sucesso alcançado, e aí eu vejo milhares de crianças e juvenis que acreditam e apoiam a ideia de um cara que é uma idealização deles, praticamente uma criação, a conquista de um, se torna a conquista de 5 milhões, a tristeza é compartilhada, é o vínculo que se constrói, que seria difícil explicar em poucas linhas, mas ele é muito verdadeiro.

A gente chegou lá!

O caminho de um criador de conteúdo na internet é escuro, ele não tem nada de certo, e é muito muito duvidoso. Aonde, na sua vida, você iria imaginar um rapaz da sua idade iria escrever 3 livros, autobiográficos, que fizessem sucesso? Aonde na sua vida, falar bosta na internet se tornaria uma profissão respeitada por agências gigantes de publicidade, e melhor, por marcas conhecidas mundialmente? Aonde uma menina com menos de 30, é uma das mais famosas do Brasil e nunca fez novela na Globo? Mas a gente chegou lá! Quando um cresce e uma massa apoia, é um sinal de que algo de certo está muito certo, e que o mundo está mudando, e nos faz pensar que existe amor em SP (kk).

O filme

“Eu Fico Loko, O Filme”. Depois de muito rodear, aqui estamos, no filme da vida do cara de 20 anos, que tinha tudo pra dar errado, o cara e o filme. A fórmula? Filme sobre adolescência e relacionamentos. O que deu certo? Tudo! E pra chegar nesse ponto, devemos ressaltar que uma receita pronta pode ser gostosa, mas acaba sendo chata, exceto quando alguém sabe realmente fazer, e assim foi com esse filme, a história de um adolescente que se deu mal por muito tempo e que encontrou no meio dos seus conflitos uma solução para os seus dilemas. A linguagem jovem, e a forma como o filme retrata os relacionamentos são exatamente a forma que é na vida (porque foi baseado na vida escrita de um adolescente, e não criada da cabeça de um roteirista de 100 anos), a mensagem consegue ser passada de uma forma tão natural, que realmente, nos sentimos em um vlog ‘MEGABLASTERULTRA’ produzido. Aos atores presentes no filme, uma salva de palmas, inclusive ao interprete do protagonista e o seu par romântico, a expressão corporal torna o personagem mais real e “engaja” o público. Quem foi que disse que tem que xingar? Uma grande ideia de um filme nesse nível é ausência de palavrões, afinal de contas, crianças assistem, e sabemos que isso faz parte da conversa de muitos, mas devemos concordar que muitos não são todos, e me vem um filme jovem sem desrespeitar os futuros jovens, mais um ponto acertado (que Daniel Filho aprenda).

Só vai falar bem, Walyson?

Só, eu aplaudo o jovem que cresceu com internet, eu aplaudo os fãs que tornaram real um filme de um cara igual a todos nós. Hoje vou me ater nos elogios, porque me senti representado por alguém que eu nunca cheguei perto. Inspirado a continuar, apenas continuar sendo quem eu sou, e aprendendo com minhas inúmeras dificuldades.

Esse talvez seja pra muitos de vocês um texto vago pra esse Medium, eu considero um post sensacional, porque um dos melhores filmes nacionais que eu já vi, fala de um cara que é da minha idade. Obrigado internet, pelas oportunidades que aqui se ajuntam. Essa deve ter sido a melhor maneira de começar o ano. Até a próxima!

Like what you read? Give Walyson a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.