Sobre o autor, mentira, (auto)preconceito e evolução ... (Tentando escrever diferente)

O menino preto pequeno, sentado
Com eles, todos de outra cor
Não tem problema estar rodeado
De gente pequena cheia de amor

Mas todos crescem e o King tem razão
A maior utopia do mundo
É ver de verdade, sem ser na tv
Preto e branco, dando a mão

A culpa não é de quem cresceu
Ela é de quem é crescido
Há quem bote a culpa em quem já morreu
E deposita esperança no recém nascido

Enfim, eu era o preto, e eles os brancos
Fomos, somos, loucos iludidos
Diferentes por fora
Por dentro, todos amigos

No meio do crescer alguma coisa mudou
A cor virou vergonha e a classe ainda mais
Hoje confesso, menti sem temor
Tive vergonha da profissão dos meus pais

A culpa foi deles? Foi não!
Foi minha, toda minha, egoísta que sou
Meu paique pra me ver sorrir fazia das tripas coração
E minha mãe pra ter 50 no bolso, umas 300 roupas passou

Foram anos de muito engano no peito
Dias perturbadores
Ser preto e pobre era defeito
Que MULEQUE infeliz, cheio de dores

Precisaram de anos pra mente mudar
Quem me amava me queria por perto
Independente do que eu poderia dar
Se preto não era defeito
Era só melanina querendo dançar

Se eu encontrasse aquele menino
Se pudesse falar com os velhos amigos
Daria um conselho ao pequenino
Não minta, diga a verdade, porque ela é o caminho

Um poeminha clichê, com rimas bobas
Um coração mais leve, sei lá 10 ou 15 anos depois
Pra quebrar, que agonia seria
Se..

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