Se decida, aonde você quer chegar?
Não espere que as outras pessoas tomem as decisões importantes sobre a sua vida, principalmente no que diz respeito ao seu futuro, nas mais diversas áreas da vida, profissional, social, espiritual, Alvin Toffler uma vez disse “Ou você tem uma estratégia própria, ou então é parte da estratégia de alguém”. Hoje vou reproduzir uma parábola chinesa que surtiu e surte um efeito deveras interessante em algumas das minhas mais importantes decisões como profissional, espero que no final desta leitura você tenha pelo menos mais um motivo para assumir o controle das suas decisões.
Era uma vez dois monges que caminhavam por uma estrada. Quando caiu a noite, eles tiveram dificuldade em encontrar algum lugar para descansar, pois a região era muito isolada. Encontraram um pequeno casebre, feito de pau a pique, que caía aos pedaços. Bateram à porta e um homem atendeu, magro, mal trajado, vincos no rosto e calos nas mãos denotando uma vida sofrida. Ao saber de quem se tratavam os viajantes, prontamente abriu a sua humilde casa para receber os monges. A casa, pequena, com poucos móveis, populada pela jovem esposa e filhos, mal acomodava todos nos seus dois únicos aposentos.

Sem constrangimento, mas repletos de boa vontade, repartiram com os monges o seu único pão, a refeição do dia. Incomodados com tal pobreza, os monges procuraram saber como eles sobreviviam. “Graças a Deus temos uma vaquinha, senhor. E graças a esta vaquinha, temos tudo o que precisamos para viver. Do leite dela nos alimentamos, e o que sobra vendemos para conseguir outras coisas”. Os monges ficam consternados com a situação precária da família.
Durante a madrugada, espremendo-se em um canto forrado com palha para eles, o monge mais velho desperta o monge mais jovem e ordena: “Vá lá fora, pegue aquela vaca e empurre-a no desfiladeiro”. O jovem fica surpreso, não entende a ordem e se recusa. “Como vou fazer uma maldade destas com esta família? Eles nos receberam tão bem, esta vaca é o único sustento deles!”, mas diante da ordem directa e enfática de seu superior, ele não teve outra alternativa senão levar a vaca e desconsoladamente vê-la despencar e morrer no precipício. Partiram antes de amanhecer e sem se despedir de ninguém. Caminharam em silêncio até o seu destino e o tempo todo o jovem monge esperou por uma explicação por aquela atrocidade que ele foi obrigado a cometer, a realidade é que ele nunca teve a sua resposta.
Alguns anos se passaram, até que um dia o jovem monge voltou a passar por aquela estrada lembrou-se daquela família. Curioso, foi até o local onde eles moravam e descobriu, no lugar do casebre, uma bela casa, com carro, jardim, crianças saudáveis e felizes a brincar. Sem ver nenhum vestígio da antiga casa, ele logo imaginou o pior. Com os olhos marejados, se volta para retomar seu caminho quando se depara com um homem, forte e bem vestido, que vinha na direcção contrária, provavelmente o dono daquela casa. O monge se apresenta e aproveita para perguntar sobre aquela família e então o homem passa a olhar o monge mais atentamente quando grita: “É você, agora me lembro, você veio naquela noite com um colega!”
O monge se surpreende e só então reconhece naquele homem aquele miserável mirrado. “O que foi que aconteceu? O que houve aqui?”, questionou o monge. O homem então o convidou-o a entrar, rever a família, todos muito bem e saudáveis e contar sua história. “Naquela noite que vocês estiveram aqui, aconteceu uma tragédia, a nossa vaquinha caiu no desfiladeiro e morreu. De uma hora para outra ficamos sem o nosso sustento. Ficamos desesperados, não sabíamos o que fazer. Então eu consegui um emprego de assistente de carpinteiro, minha esposa foi trabalhar como doméstica. Conseguimos juntar algum dinheiro e montei minha própria carpintaria, que se transformou em uma fábrica de móveis e hoje nós estamos muito bem, graças a Deus”. Então o homem parou, reflectiu, olhou à sua volta e concluiu, “No final das contas, foi até bom termos perdido nossa vaquinha, senão até hoje estaríamos a viver aquela vida miserável” — FIM
Talvez você não tenha uma vida tão miserável como a do protagonista desta história, provavelmente você está satisfeito com o padrão de vida que hoje possui, um carro, uma casa, um emprego estável, salário garantido no final do mês, eventualmente não é a vida que você sonhou, mas acredita que deve se contentar com o que conquistou. Os sonhos revolucionários de empreender, fazer história e mudar positivamente o curso de milhares de vidas, por esta altura já não se encontra na lista de prioridades, outras pessoas o farão, esta deve ser a sua desculpa. Assim como você, caro amigo, conheço muitos outros, que decidiram apegar-se à vaquinha e depositar nela todas as esperanças de vida, tratá-la como o seu maior tesouro a sua única fonte de estabilidade, esta posição na verdade chama-se “zona de conforto”, diariamente centas e milhares de pessoas vêem os seus planos serem frustrados, sonhos de vida são encerrados, porque pessoas como você que têm a capacidade de mudar o curso da história da humanidade, decidiram acomodar-se em suas zonas de conforto, evitar os riscos da vida ao invés de defender os seus ideais. Ilustre amigo, não espere que um monge apareça na sua vida para tomar a iniciativa de matar as suas vacas, assuma esta responsabilidade e avance para a acção, talvez uma mudança de emprego, uma demissão para iniciar um negócio próprio, um novo investimento que tem estado “mal-parado”, ainda há tempo para mudar esta história, se prepare para sacrificar a sua vaquinha e encarar o mundo de oportunidades que existe bem diante dos seus olhos. Empurre-a…
Wanderley Ribeiro