MÃE

Olho esse ser tão frágil e divago…

quanta fortaleza em um só alguém.

Privada da presença da mãe ainda menina,

já estava com a missão de caminhar sozinha,

amparando as irmãs menores, e rezando

para que o pai retornasse ao final dos dias.

Me teve em seu ventre, me deu a luz,

me amamentou, alimentou, acarinhou.

Me carregou no colo quando pequeno,

e no colo me sustentou, já não tão pequeno,

por conta da bronquite que me afligia.

Estava ali na retaguarda enquanto eu crescia.

Vivia para mim todos os momentos da sua vida.

Ficava em vigília esperando meu retorno,

nas noites longas da minha ausência.

Não importando a hora, o dia, lá estava ela,

para me receber, me dar alguma palavra, me ouvir.

Me censurou pelos erros por mim cometidos.

Censura branda, suave, terna, amorosa.

Quanto sofrimento, angústia, agonia.

Quanta esperança, certeza, incerteza,

no amor de mãe.

Deus nos dá um amor incondicional.

Mãe também, pena que demoramos tanto

nessa vida tão curta, para perceber

que nossa mãe é o nosso “Deus” em carne e osso,

aqui na terra.

Ela só nos dá, não pede nada.

Acolhe, recolhe, agasalha,

abraça, perdoa, ama.

Hoje olhando-a, vejo que chegou a hora,

tenho que retribuir tudo que recebi.

Espero ter sabedoria para atender

as necessidades que virão.

Um corpo com um cérebro que teima em desligar,

atacado pela doença de Alzheimer,

fazendo com que ela volte,

a ser a criança que não conheci,

mas que agora depende de mim.

Peço a Deus do céu,

que me dê forças para cuidar,

desse meu “Deus” na terra.

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