De Repente Família

Diferente de uma geração que se casa para criarem filhos não planejados, Pete (Mark Wahlberg) e Ellie (Rose Byrne) decidem formar uma família por se gostarem afundo e só depois de já terem construído juntos uma vida profissional de sucesso e possuírem uma relação estável (e ainda cuidarem de um adorável cachorro) é que o assunto “filhos” chega na roda.

Consideravelmente um casal distinto e preocupado em levar uma vida de qualidade e propiciar isto a família também, os dois chegam a conclusão de que sim vão ter filhos e se neste plano os herdeiros não vierem naturalmente quem sabe por adoção? E assim Pete e Ellie visitam um centro especializado e iniciam todo o processo. Mesmo que a principio uma parte da família não aprove — o lado de Ellie, principalmente.

Lá, as assistentes sociais Karen (Octavia Spencer) e Sharon (Tig Notaro) informam os procedimentos, dados das crianças e até os convidam para um encontro com pessoas como eles, ou seja, que querem adotar. E a partir dai, a caça começa. Perambulando pelo centro, o grupo de ‘quase pais e mães’ são apresentados a pequeninos e também as crianças que já são adolescentes e muitos ali evitam estes últimos pela carga dramática que ainda acreditam não estarem prontos para enfrentar. Mas o casal, ao andar por todo o local, fica meio desanimado e só quando a jovem Lizzy (Isabela Moner) provoca e é até um pouco mal educada com Pete que ele e a esposa acham que o desafio de suas vidas chegou. Porém, ao informarem as assistentes sobre o desejo de adotar a garota recebem a notícia que ela não vem sozinha. Vem com mais dois irmãos pequenos, Juan (Gustavo Quiroz) e Lita (Julianna Gamiz). E os dois, apesar da surpresa, aceitam de imediato zelarem pelos três e preparam o ninho do jeito mais incrível possível para recebê-los, afinal, eles tem uma empresa de reformas de lares.

Trailer

Ficha Técnica

Tírulo Original: Instant Family, 2018. Direção: Sean Anders. Roteiro:Sean Anders e John Morris. Elenco: Mark Wahlberd, Rose Byrne, Isabela Moner, Gustavo Quiroz, Juliana Gamiz, Octavia Spencer, Tig Notaro, Tom Segura, Allyn Rachel, Britt Rentschler, Jody Thompson, Margo Martindale, Michael O’Keefe, Julie Hagerty. Nacionalidade: Eua. Trilha Sonora: Michael Andrews. Fotografia: Brett Pawlak. Figurino: Lisa Lovaas. Edição: Brad Wilhite. Distribuidora: Paramount Pictures. Duração: 01h57min.

No inicio, o casal tem dias maravilhosos com os filhos — como todo inicio de relação — e ao dizerem sobre isto nas reuniões com os outros pais são sempre surpreendidos com olhares de inveja, afinal, os outros estão tendo dias difíceis e estressantes — exceto por uma mãe presente que ainda está na caça do filho perfeito pelo centro. Mas logo, logo as desavenças começam e a convivência vai mostrando que cuidar, amar e corrigir é um dever extremamente árduo. Também chegam os conflitos para a idade de cada um e as personalidades distintas. Juan é um pouco desatento e está quase sempre se machucando, a pequena Lita é a fofa do trio e Lizzy já vai soltando as asinhas de que está na fase dos garotos e festas.

As cenas com os familiares também são um bom contraste. Pelo lado de Ellie, a família é um pouco incompreensiva pela decisão de adoção, tem falas óbvias e julgam, mas não deixam de receber os novos membros bem. Já a mãe de Pete, a ‘Grandma Sandy, papel da sempre ótima Margo Martindale, abraça a função de avó com muito louvor e vem com muito amor, presentes e tudo o mais que for.

Pete(Wahlberd) e Ellie (Byrne) com os filhos Lizzy (Moner), Lita (Garniz) e Juan (Quiroz)

O filme tem uma alta dose de humor e brinca com o que pode sem ferir ou ofender ninguém, mas tem aqui e ali um clichêzinho. Trata dos inúmeros tópicos que surgem aqui de um jeito delicado. Traz personagens com muita autenticidade, diferentes nacionalidades e abraça a diversidade em grande parte do elenco. Vemos casais padrões e fora deles também e se constrói um bom questionamento a partir disto.

Por ser baseado em experiências pessoais do diretor e roteirista Sean Anders, a película vem com consistência. Até porquê ele consegue fazer com que as situações não soem forçadas e as poucas conveniências agradam pela naturalidade e similaridade com o real. E Anders consegue extrair do elenco muita espontaneidade. Por já ter trabalhado com Wahlberg duas vezes, entende bem o que ele pode fazer e recorta suas qualidades. Byrne faz uma ótima dupla com o ator, aliás, e as crianças adentram a cena para enriquecer. Claramente, Isabela Moner tem um papel forte e é quem cria muitos dos conflitos. As atrizes que fazem as avós trazem comicidade a tela tanto quanto os outros pais do centro de adoção e é quase impossível que o público saia da sessão sem gostar do que viu, pois além da diversão cenas fofas e família tocam os corações de todos.

Parte técnica aqui faz o filme andar e trabalha para não se destacar mais que a trama. A trilha sonora é assinada por Michael Andrews (ouvir aqui) e a atriz Isabela Moner também gravou uma canção para promover o filme (assista o vídeo).

No tocante a época em que estamos chegando, o filme é perfeito e pode ser uma bela opção para o domingo em família.

Avaliação: Três corações quentinhos de amor e Oitenta momentos risíveis (3,80/5).

Hoje nos cinemas!

See Ya!

B-