All-Star.

Ontem, pra tentar fugir do trânsito resolvi dar uma passada no shopping.

Faria uma horinha, alimentando a esperança do trânsito dar uma melhorada (pode soar como utopia, mais até que funciona).

Parei ao lado da vitrine de uma loja. Em algum momento do passado já comprei uns pisante nessa loja.

Os preços estavam altos.

Bem altos.

Pensei comigo, ‘caraio!’.

Segui rumo ao outro piso.

Já que estava vagando por ali, vai que alguma oferta chama minha atenção.

Entrei na Centauro, e acabei adquirindo um All Star, coisa que já tinha em mente fazer, só que me faltava disposição para dar cabo da situação.

Um descontinho maroto no preço.

Chega uma fase na vida que esses descontinhos fazem os olhos brilharem.

Sensação bem boa.

Pequenas felicidades cotidianas.

Pisante pro dia-a-dia, que vai bem com tudo, inclusive com descontinho.

Subindo para o piso onde estava, vejo alguns adolescentes, acho que tinham no máximo uns 13 anos. Conversavam, aproveitando o momento.

Bonito de contemplar.

Por um momento olhei para o calçado que utilizavam e fui transportado para meu tempo de escola e para os calçados que eu utilizava, fazendo uma grande massaroca de pensamentos por conta dos altos valores que vi na vitrine.

E pensei ‘porra, na época eu não dava valor pra grana que minha mãe gastava comigo’.

E por um curto período de tempo, entre o local que eu estava e a entrada da livraria, um filme passou em minha cabeça, com roupas e calçados que usei em épocas anteriores.

E pensei em como alguns eram caros. E como em minha ‘inocência’, ou mesquinhez, ou egoísmo, eu parecia pouco me importar com o esforço feito por minha mãe.

Enquanto me aproximava da entrada da Livraria, seguia nessa reflexão, buscando elementos do ontem e do hoje.

Pensei brevemente que se um dia tiver uma filha ou filho tentarei tratar dessas questões com maior cautela. Embora não dá pra cravar nada enquanto não sei qual é a realidade da paternidade e tals.

Por ora é só achismo.

Por ora foi só um susto com o preço dos tênis na vitrine da loja e o tênis dos jovens que tinham um custo considerável e como com o avançar dos anos passamos a dar maior valor ao uso dos dinheiros.

Por ora é só agradecer por tudo o que minha mãe fez e faz por mim.

Por ora é só agradecer pela brisa surgida de uma passada no shopping pra esperar o trânsito melhorar um pouco.

Horas antes, enquanto trabalhava, após alguns dinheiros pingarem em minha conta paguei o que tinha que pagar e com sensação semelhante ao que o desconto do All Star me causou, surfei uma onda de positividade e leveza, que muito provavelmente durará até o próximo quinto dia útil.

Vida adulta, boletos pagos, contas em dia, responsabilidades.

Segue o baile e deixa eu acessar o app do banco pra ver se tá tudo certo.