Caminhar.

Andava muitas vezes sem norte, apenas para poder refletir sobre questões que lhe deixavam inquieto. Por vezes alguma frase que não lhe soava bem era o estopim para caminhar.

Em outras ocasiões a demora do ônibus em passar o fazia optar por estas caminhadas reflexivas. Tinha ali um tempo onde suas pernas eram o motor e sua mente o GPS.

Colocava em seu celular um disco para tocar e se deixava levar pelo traçado da rua, olhando para todos os lados e vislumbrando diversas possibilidades.

O espaço de tempo daquela caminhada se transformava em um processo de mergulho nas águas de seu pensamento. Refletia, questionava, argumentava, decidia, escolhia, reconhecia. Fazia ali um complexo processo de autoconhecimento.

As faixas do disco iam rolando e seu olhar abordava paredes e cartazes, postes e luzes, carros e seus motoristas, pedestres e suas angústias. Tudo aqulo era conteúdo para escrever, fotografar e refletir.

Apropriava-se das ruas e calçadas para se conhecer melhor e para compreender o que tudo aquilo que trazia tormentas queria lhe revelar.