Mãos de Pedra

Muitos Robertos.

Filme de setembro de 2016 — O terceiro filme da meta dos 100 em 2017.

Bons momentos que foram desperdiçados.

Quando se trata de filmes que abordam o boxe, a primeira coisa que vem na cabeça é Rocky o lutador, sendo assim penso em como será trabalhado o drama e a superação no enredo sem ser algo clichê. Porém Mãos de Pedra é uma cinebiografia, algo complexo de se fazer, pois dependendo da história que vai ser abordada, seria necessário até uma trilogia. Infelizmente esse é o caso de quem vai ter a sua vida explorada neste filme, Roberto Duran possui uma história muito rica no boxe e como consequência envolve lendas do esporte que não foram bem abordados na obra.

Mais um filme de época que usa bem a fotografia e capricha no figurino, é de fato interessante notar o uso extravagante das cores em roupas que hoje são consideradas cafonas. Mas o curioso é que nesta época em alguns casos o uso de cores fortes no figurino trazia um certo equilíbrio… Como assim? Então… A fotografia da obra mostra como era a periferia naquela época, um ambiente que possuía um ar de hostilidade e até injustiça. Isso deixava as coisas meio sem vida, e grande parte das pessoas da periferia são portadoras de sonhos e querem ser notadas e consideradas importantes. Com o desenrolar da trama e levando em consideração aquela década, eu entendo que o uso de cores fortes, toda extravagancia é algo pra chamar a atenção, mostrar que você “brilha”, que é diferente em meio a tanta gente comum. Sem contar que existia uma grande influência dos Estados Unidos que eram quem ditava a tendência nos anos 70 e 80.

Uma narrativa que te prende, mas que vai te frustrando em parcelas, já que Roberto Duran viveu grandes emoções, mas a obra retrata isso da melhor forma. Infelizmente é isso que te deixa frustado, levando em consideração que grandes momentos são tratados como algo normal no filme, dando a impressão que o diretor teve que compactar toda história, por se tratar de um filme com menos de duas horas de duração. Em diversos momentos eu me senti incomodado, já que aconteciam coisas que nenhum diretor poderia ignorar ou tratar como algo que é apenas “normal”. Mesmo assim, é interessante notar que existia um ideal que foi carregado em todo filme e que fazia sentido. Roberto Duran era como um simbolo de resistência para o Panamá que tinha um povo orgulhoso com um forte desejo de independência. Isso é algo clichê, porém não tem como fugir dessa premissa. Os Estados Unidos até hoje tem uma forte influência, então naquela época ter um atleta representando seu país e sendo soberano contra aos atletas da “super nação” era algo que levava alegria e esperança a população do Panamá.

Em relação a atuação, é triste ver que Robert De Niro foi limitado por causa do roteiro, mas no geral o elenco é OK! Foi uma surpresa ver Usher atuando em uma filme principalmente dramático. Fico satisfeito em saber que ele entrou bem no papel sem parecer “o canastrão americano”. Ana de Armas merece destaque, por entregar uma esposa que demonstra preocupação e carinho por seu marido, além de nos apresentar de forma clara, como foi sua transição de menina pra mulher dentro da obra.Edgar Ramirez em diversos momentos atua de uma forma que faz você sentir raiva mas ao mesmo tempo dó de seu personagem que é o tipo de pessoa que não tem conhecimento, mas quer fazer o bem para o seu povo que é sofrido. Isso faz com que Edgar entregue muito bem um personagem que convive com muitos conflitos, relacionados com: poder, ideologia e dramas familiares.

A trilha sonora do filme é fraca, o que não chama muito atenção. O bom uso desse recurso até poderia ajudar a conquistar o público, principalmente quando o filme não dá tanto valor pra momentos que deveriam ser tratados como emocionante.

O filme é interessante, porém o diretor foi ambicioso demais ao tentar condensar uma história muito longa. Talvez se ele tivesse trabalhado bem para fechar o filme em seu primeiro momento grandioso, teríamos uma obra de grande potencial que permitiria até uma sequência. O enredo é arrastado, porém possui elementos que fazem você não se arrepender de ter dado o seu tempo pra obra, além de chamar atenção pela fotografia e figurino utilizado.


★ ★★☆☆ — Uma obra razoável que vai dividir opiniões, vale conferir.

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