Tentei.

Eu juro que tentei encaixar-me. Tentei ser alguém em meio a multidão. Tentei rir de tudo. Tentei chorar por tudo. Eu tentei tentar. Me enchi de vazios para encher-me de nada. Eu sou uma farsa. Eu sou o oposto de tudo que tentara ser até então. Eu não sou corajoso. Eu não sou bom. Eu não sou eu. Todos os dias, eu tenho medo. Eu tenho raiva. Eu tenho nojo. Todos os dias, eu tento, vagarosamente, venho tentando me encontrar. Eu devo estar ali naquela esquina, naquela foto. Em que parte de mim eu deixe-me perder. Eu estou confuso. Eu sou confuso. Eu tentei parecer que sou bom, calmo. Eu tento fingir que não preciso de ajuda. Finjo até não precisar do passado, mas eu preciso dele sim. Toda vez em que penso: “um dia vou melhorar”, é no passado que busco forças. Eu não tenho forças. Eu tentei ser forte. Eu sou uma farsa. Eu tentei fingir que não precisava de lugares, de amigos ou de amores. Eu tentei me completar comigo mesmo. Eu sou vazio demais para me completar. Eu tentei ser bonito. Eu tentei ser legal. Eu tentei ser alguém. Eu juro que tentei. Eu tentei fingir que não precisava de uma namorada, de um amigo, de um lugar. Eu tentei ser o filho perfeito. Eu tentei ser o amor de mim mesmo. Eu tentei ser cristão. Eu tentei ser ateu. Eu tentei ser vilão. Eu tentei não ser eu. Eu não sei o que fazer. Eu não sei se encontrarei alguém legal o suficiente para me arrancar sorrisos e me fazer perder o fôlego. Eu até poderia tentar, se já não houvesse tentado, tentado e tentado. Eu preciso de você. Eu preciso de Deus e pela ultima vez, eu preciso tentar.

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