“Eu não sou preconceituoso”

Com os direitos LGBTQ+ em foco, muita gente diz não ser preconceituosa e apoiar completamente os mesmos — mas quem realmente se importa?

Desde os anos 60, os direitos LGBTQ+ vem entrando em cena, e agora posições de extrema esquerda até o centro dizem apoiar esta causa. Mas muitas vezes, um filtro de arco-íris na foto de perfil esconde uma inabilidade de considerar o próprio privilégio e contribuição.

A comunidade LGBTQ+ é uma das que mais sofre com o preconceito, sendo o Brasil um dos lugares com o maior número de crimes de ódio contra a comunidade. Mas o que não se vê nas estatísticas é o sofrimento diário: as piadas preconceituosas, o comentário ofensivo que passa por cima da maioria, os olhares desconfiados. Com a facilidade de expressar sua “virtude” e apoio a novas causas para os outros sem fazer muita coisa além de botar um filtro, os reais problemas do quais todos — mesmo dentro ou fora da comunidade — somos parte são deixados de lado para dar espaço ao falso-aliado.

Não importa que você nunca xingou alguém de viado ou traveco — somos todos ensinados e inconscientemente adotamos os preconceitos da sociedade em que vivemos. Porém, mesmo assim, todos podemos melhorar nessas áreas — reconhecendo nosso próprio privilégio e perceber como o usamos para discriminar contra outros.

Reconhecer seus erros requer esforço — muito mais do que escrever #SomosTodosLGBT e botar um filtro bonito. Mas se preferirmos tomar esta rota fácil, botaremos em risco a vida de milhões de pessoas LGBTQ+ que sofrem de depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental por causa do preconceito e discriminação, seja este consciente ou não.