Oito dicas para transformar seu problema em inovação

Texto por Pedro Jansen
Ilustrações por Dreyson Queiroz


Quando pensamos na necessidade e capacidade de resolver problemas, uma das principais coisas jogando contra é a pressa em chegar a uma resposta. “Precisamos melhorar nosso rendimento” automaticamente desencadeia “A solução para isso é X”, sendo que esse X não teve toda a reflexão necessária a seu favor. É apenas uma reação ao estímulo. Isso leva a uma das falácias lógicas mais comuns do nosso cotidiano: a de que correlação implica em causa. E não, não implica. Fatos podem estar conectados de maneira tão aleatória que atribuir a causa de B à ocorrência de A certamente não vai dar em boa coisa (isso sem falar no desperdício de energia tentando conectar as pontas). Essa informação pode parecer solta agora, mas mantenha-a por perto e acompanhe os próximos parágrafos para ver como tudo se encaixa.


A SOLUÇÃO DO PROBLEMA ESTÁ DENTRO DO PROBLEMA

É importante pensar em jeitos mais criativos de resolver problemas que não seja pulando direto para a primeira resposta que pareça encaixar mais ou menos na nossa necessidade. A isso chamamos de Reframe de Problema.

O Reframe de Problema é uma técnica que combina ferramentas diferentes para destrinchar, investigar e precisar exatamente o que deve ser resolvido. “Precisamos melhorar nosso rendimento” é o tipo de problema que pode ter N causas e só vai ser possível chegar à fundamental ao ativarmos um outro olhar. Para ajudar nessa cruzada, vamos apresentar aqui algumas dicas para ajudar no Reframe de Problema.

INVERTA A LÓGICA DAS SUAS CONCLUSÕES

Quando você analisa o cenário do seu negócio e vê que todas as respostas apresentadas para problemas surgidos ali vem sempre do mesmo mindset, não bate um desespero? Imaginamos que sim. Por isso sugerimos que você comece a ver seus problemas por outros ângulos, proporcionando um desafio novo para seus colegas e, com isso, também trazendo mais disposição para o trabalho.

Como a sua mãe resolveria aquele problema? E o seu filho? Ou quem sabe o presidente da sua empresa? Adotando esses vieses, soluções diferentes e inesperadas podem surgir. Faça bons usos delas.

PROCURE POR LADOS NÃO EXPLORADOS DE UM PROBLEMA

Quer deixar de lado a tendência a valorizar o que é prático ao invés do que é desafiador? Hora de procurar novas lentes para enxergar o seu problema. Tudo começa, por menor que pareça, na busca pelo approach certo. No curto exemplo que usamos na abertura deste texto, falar que “Precisamos melhorar nosso rendimento” é bem mais limitado que “Nossos maiores gastos são com material de escritório e pessoas. O que precisamos realmente cortar: post its ou pessoas?”. Ao buscar outras abordagens para seu problema, você também encontra novas soluções para ele.

APRENDA A RECONHECER UMA BOA IDEIA

Muita gente que busca inovação para seus negócios acha que o verdadeiro impeditivo para chegar a esse oásis é a falta de novas ideias. A verdade é que muito provavelmente a ideia que você procura já passou pela sua empresa, mas foi ignorada. E por que isso acontece? Porque nós, seres humanos, temos uma propensão incômoda a privilegiar a ideia confortável ao invés da ousadia.

E essa é só parte da quizila. Além de não dar espaço para ideias transformadoras ou desafiadoras, as estruturas de trabalho muito conservadoras ainda costumam privilegiar “feudos hierárquicos” ao invés da colaboração. Por isso é comum topar com boas soluções sendo descartadas por quem tem poder de decisão. Ao favorecer o envolvimento e a troca entre as pessoas na hora de criar, mais necessidades e expressões serão consideradas no momento de decidir a solução mais adequada.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Na dica anterior, falamos sobre como é importante ter muitas pessoas trabalhando na criação de soluções e respostas, ainda que o poder de decisão sobre qual delas será aplicada esteja na mão de poucas.

Essa valorização permite que as ideias geradas tenham muitas origens, respeitando idiossincrasias e particularidades, além de reforçar que a estrutura não é mais importante que a solução.

Agora, para promover um processo decisório que favoreça a inovação (ou as boas ideias), é fundamental ter todo tipo de dados de apoio consigo. Assim, não haverá chance de preferências pessoais ou conservadorismos tomarem a dianteira: se os dados apontarem um caminho como o mais vantajoso, quem poderá contestar a escolha deste?

EMPATIZE COM SEUS COLEGAS

Estar aberto a conhecer outras realidades e a ouvir quem tem experiências distintas da sua pode lançar uma luz bastante elucidativa sobre o cerne do seu problema. E mais que conhecer e ouvir, esteja aberto a fazer. Coloque-se no lugar do outro e reflita a respeito do que faria naquele cenário. Tanto o CEO da sua empresa quanto o analista do seu departamento tem rotinas e demandas bem particulares, e as decisões e atitudes que eles tomam estão diretamente ligadas a tudo isso.

Quando você se propõe a fazer como eles fazem, vai poder entender de maneira mais precisa porque eles fazem como fazem.

Além disso, a maneira como as demais pessoas da sua equipe pensam, se somadas, podem gerar um resultado e tanto. Por que não arriscar, então?

PERGUNTE “POR QUÊ?”

Esta é uma maneira bem simples e direta de se aprofundar na análise de um problema, tirando objetivos secundários, subjetividades e outros véus da frente.

À medida que você submete seu problema a uma série de porquês, você consegue destrinchar necessidades e descobrir o que de fato merece atenção.

Além disso, cada um dos fragmentos definidos pelos porquês levam a novas possibilidades de solução. Esteja atento a essas respostas e provoque os membros da sua equipe.

PERGUNTE “COMO PODERÍAMOS…?”

Agora que você já submeteu seu problema a uma série de porquês e já identificou quais os pontos da sua realidade que precisam ser trabalhados, faça um exercício bastante simples: transforme cada um desses pontos em perguntas que começam com “Como poderíamos…?”. Usando o exemplo do início do texto, em que o problema é “Nossos maiores gastos são com material de escritório e pessoas. O que precisamos realmente cortar: post its ou pessoas?”, uma forma de questionar isso com mais tesão é perguntando “Como poderíamos economizar mais material de escritório?” ou “Como poderíamos utilizar melhor nosso pessoal?”.

Formuladas assim, as perguntas provocam uma reflexão mais profunda e colaborativa, pois convoca o grupo a pensar em soluções de forma conjunta.

BRINQUE COM VERBOS E SUBSTANTIVOS

É, o convite é para brincar mesmo (assumindo que devemos levar o trabalho a sério de maneira leve, ok?). Considere o seguinte: os verbos são a parte da frase que expressa as ações que estão acontecendo; já os substantivos, as partes que definem os elementos envolvidos na frase.

Experimente inúmeras possibilidades para estes dois elementos e veja as opções de solução se multiplicarem.

É simples e bem barato, além de um exercício de empatia tremendo.

O fundamental de tudo isso que expomos aqui é a necessidade de confrontar velhas estruturas e comportamentos viciados. Não permita que decisões importantes sejam tomadas sem reflexão, ou sem pelo menos um exercício sequer de empatia. Pensar em como os outros trabalham e considerar modos diferentes de encarar um problema como ponto de partida pode ajudar bastante na sua busca por uma solução inovadora. Estas oito dicas são só o início do caminho. Comece por aqui e descubra você mesmo como adaptar essas práticas à sua realidade.

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