#dia16 — De amigo pra amigo

Houston, temos um amigo

Precisamos de bons amigos.

Tem amigo que a gente precisa marcar de sair com uma semana de antecedência, e tem aqueles que a gente liga e sai na hora. Alguns sempre escolhem a breja barata e outros, preferem manter a estirpe. Se tem rolê, e um amigo falta, os outros acabam não vindo por inteiro também.

Dependendo do lugar, a gente chama diferente o amigo. No nordeste pode ser “nego”, no sul é “camarada”, no rio tem “maluco” e em sampa: “brother mêu”. Mas independente da origem, os amigos se entendem.

Alguns amigos a gente perde o contato, seja lá porquê mudou de faculdade, curso, cidade, país, ou porque deixou de ser tão amigo, mas a gente guarda a amizade na lembrança.

Tem amigo que vale a pena investir, e amigo que investe na gente o tempo todo. Tem aqueles que nunca sabem pra onde tão indo, mas sempre têm pelo menos um lugar pra ir. Amigo que ouve sobre nossos amores e desamores, sem ter o que cobrar de volta. Alguns trazem um horizonte interessante pra gente olhar e os que não vêem horizonte, nem se olham mais e vocês só seguem. Tem amigo que até ajuda com a carreira profissional, outros não sabem qual carreira profissional seguir, mesmo depois de formados e nem tão mais amigos assim.

Caso você realmente goste de amigos, vai ter alguns defendendo o golpe e outros dizendo que foi impeachment. E tudo bem ter mais de um tipo, afinal queremos amigo que debata, discuta, polemize e contribua, não que só puxe o saco e se vanglorie.

Amigo não é igual arroz, que a gente escolhe um tipo no mercado, o tipo vai se mostrando, se fazendo enquanto amigo.

Amigo que é amigo não se importa de ser inconveniente, tagarela, empata-foda. Até porque a situação passa e o amigo sempre fica. Amigo que é amigo, quebra galho, salva o rolê, móia o rolê e salva outra vez. E sabe o que é ser amigo, nas horas boas e ruins, pra nosso azar ou sorte.

Mais importante do que ter amigos, é saber que ser amigo exige compromisso, é um exercício de se doar, com presença, atenção. Aliás, como é difícil estar presente hoje em dia — falei sobre isso com uns amigos ontem.

Ser amigo de alguém é quase incorporar uma cultura nova por amizade, já que pra ser amigo não tem requisito. Basta entender a necessidade do outro e abrir mão um pouquinho da gente. Afinal, ser amigo é repentino, é de improviso. Porque improvisar é lidar com o inesperado e esperar não ser amigo, também é prova de amizade.

Viva os bons amigos.

Seguimos.

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