#dia13— Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre Taco Bell e o Oligopólio brasileiro

Hoje olhando as notícias que o Facebook me mostrava, vi uma delas anunciando que a primeira loja da rede americana Taco Bell no Brasil será inaugurada no dia 23 de setembro, próxima sexta-feira em São Paulo.

Saudemos “nosso” mais novo fast-food

A rede de fast-foods chega ao Brasil através do empresário Carlos Wizard Martins. Carlos fundou uma das maiores escolas de idioma do Brasil, a Wizard e depois adquiriu outras oito redes de ensino de inglês, como Yázigi, Microlins e Skill, formando um oligopólio que lucrou rios de dinheiro e pouco fez pelo ensino de inglês no país. Afinal, em 2013 quando esse conjunto de empresas chamado Grupo Multi Educação, foi vendido para a britânica Pearson por R$ 2 bilhões, apenas 5% dos brasileiros tinham domínio da língua inglesa.

Alguns meses depois, ele adquiriu 100% da Mundo Verde, maior rede de lojas de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar da América Latina, já dando indícios que se interessava pelo ramo alimentício.

No setor esportivo, Carlos Wizard anunciou a compra de 100% da operação das marcas Topper e Rainha, da Alpargatas, fundando a BR Sports. E já com planos de se tornar, em pouco tempo, a maior representante de marcas esportivas no Brasil.

Não satisfeito em concentrar e apinhar todos esses ativos econômicos num país que é o 14º mais desigual do mundo. Agora, o empresário entra no ramo de fast-food com o plano de abrir 100 lojas Taco Bell por aqui até 2020.

Mas Carlos Wizard não está adotando nenhuma medida inovadora, na verdade só está querendo fazer parte do clubinho seleto que manda e desmanda na nossa economia e na nossa política. No Brasil, os oligopólios controlam praticamente todos os setores de bens de consumo.

Você provavelmente recebe seu salário em uma conta do Itau, Bradesco ou Santander, come no almoço uma carne da BRF ou JBS, pega de sobremesa um pedaço de bolo com chocolate da Nestlé ou Kraft e quando sai pra beber na sexta com os amigos, o garçom te traz uma cerveja da AmBev ou da Brasil Kirin.

E como ficam os pequenos e médios empreendimentos locais nessa loucura toda?
Aqueles que de fato fazem a nossa economia girar?

Segundo alguns experts analistas:

“Os pequenos e médios empreendedores locais devem focar em nichos de mercado específicos, utilizando principalmente aquilo que o povo brasileiro tem de melhor, a saber, a cordialidade e sua famosa arte de inovar, lembrando que além do futebol e samba, temos muitas coisas que são impossíveis de serem copiadas. Afinal, alguém consegue, imaginar uma empresa estrangeira vendendo brigadeiro no Brasil?”

Confesso que duvido que Wendy’s, fleeming’s ou Taco Bell vendam alguma comida tipicamente brasileira, mas Buddy Valastro, o Cake Boss já anunciou que abrirá a primeira Carlo´s Bakery em São Paulo em 2017. Só espero que o chef não pretenda vender brigadeiros entre seus quitutes, senão ao contrário do que pensam nossos experts, vai ser cada vez mais difícil estimular a economia local e sobreviver frente esses oligopólios.

Seguimos.