#dia24 — Sobre ser barbudo e algumas curiosidades

Lembro quando os primeiros vestígios de barba começaram a aparecer, eu deveria ter entre 15 e 16 anos, em algum momento do ensino médio.

Como a adolescência é uma fase onde muitas coisas estranhas estão acontecendo ao mesmo tempo, ter uma penugem surgindo involuntariamente no rosto acaba sendo só mais uma delas.

E é normal no começo que empreguemos esforços pra que essa mudança, — mais uma nessa fase — não seja perceptível para os outros. As pessoas costumam ter medo da mudança, ou melhor, ter medo do que os outros pensarão sobre ela.

Por isso, assim como muitos garotos dessa idade, me acostumei a fazer a barba naquela época e pelos anos que se seguiram. Até que em determinado momento — não me lembro exatamente quando — comecei a perceber os recursos que gastava naquilo de ficar me barbeando.

Você sabia?
Levando em consideração uma vida média de 70 anos, gastamos o equivalente a 140 dias de vida nos barbeando? Acredite, é mais tempo do que gastamos fazendo xixi: 106 dias. — fonte: Mundo Estranho

E fora que eu odiava a coceira pós barba feita, o aspecto cinza esverdeado que ficava na minha cara — os homens sabem do que estou falando — e as inúmeras vezes em que eu me cortava e aí ficava uma semana parecendo um cosplay do boneco do Chucky que não deu certo.

Pausa para um causo:

Uma vez na véspera de ano novo, fui fazer a barba pra ficar pronto pras festividades. Já era noite, umas 22:00 e enquanto passava a lâmina na parte do bigode, algum bom samaritano resolveu estourar uma bombinha antes da hora. Resultado: passei o ano novo com um papel ensanguentado tentando conter um sangramento que não parava e com uns 2 centímetros a menos de nariz.

Além disso, era uma briga quase diária em que eu sempre estava perdendo, pois no momento em que terminava de fazer a barba, sabia que ela já estaria tramando pra crescer de novo.

E aí, comecei a pensar no porque eu estava fazendo aquilo.

Cheguei a conclusão de que era porque eu achava que minha barba não seria bem aceita na sociedade tradicional brasileira.

Então, com o mesmo espírito rebelde que faz a gente tirar o pen drive sem remover com segurança ou colocar o feijão no prato antes do arroz, eu resolvi ficar sem fazer a barba, só pra ver no que dava.

Primeiro por alguns dias, depois por algumas semanas e aí as primeiras reações começaram a surgir. Nessa época eu trabalhava numa empresa de TI onde barba feita estava na cartilha de bons costumes.

Meu chefe era um cara super bem-humorado e uma vez em uma reunião soltou: “Tenho uma novidade pra vocês, a empresa acabou de fazer uma parceria com a gilette e agora ninguém vai mais ter desculpa pra aparecer aqui cheio de pelo na cara”.

Por sorte — ou loucura — eu estava realmente empenhado em deixar de fazer a barba e depois de um tempo, eles acabaram acostumando. Alguns meses depois eu saí da empresa e aí deixei de vez a barba crescer.

Hoje, quase 2 anos depois de assumir o visual barbudo, não consigo mais me reconhecer sem barba. Até digo que se o pré-requisito pra fazer alguma coisa, for tirar a barba, eu deixo essa coisa pra lá tranquilamente. Sério.

Isso porque eu sou o que escolhi ser e a barba fez parte do processo, é muito mais do que só aparência e me sinto muito bem assim.

Agora algumas coisas curiosas sobre ter barba:

Muitos apelidos

Alguns como: “Bin laden”, “judeu”, “Raul seixas”, “mendigo”, “Tico Santa Cruz”, “Gandalf”, “Papai Noel”, “homem bomba” e “lenhador” são comuns e os que mais ouço na atualidade. 
Apesar da maioria serem estereótipos, sempre levo na esportiva.

Comidas e bebidas

Sim, a comida ou a bebida podem ser um problema. O bigode às vezes funciona como um sachê de chá e tem que ficar limpando a cada gole, farelos de pães e bolos também requerem uma atenção especial. 
Sempre procuro ter um guardanapo por perto.

Coceira

— Aiin, mas não coça?
 — Não mais do que qualquer outra parte do corpo, inclusive coçava muito mais quando eu fazia.

Cuidados especiais

Sim, tal como cabelo, alguns cuidados são necessários. 
Os fios ressecam, pode dar caspa e acreditem mulheres: BARBA PODE TER PONTA DUPLA.
Mas tudo isso pode ser facilmente evitado lavando com shampoo, passando um óleo hidratante de vez em quando e aparando as pontas esporadicamente.

Idade: Expectativa vs Realidade

Essa é a que eu mais me divirto. Já me deram 30 anos por causa da barba.
Sinceramente vai de cada um, eu gosto de parecer mais velho e é cômico ver a cara de algumas pessoas quando digo na verdade, que tenho 21.

Assustar crianças

Talvez a única real desvantagem pra mim de ser barbudo. Gosto de crianças e já me acostumei a ver elas chorando assim que me aproximo. Mas normalmente a estranheza é só num primeiro momento, depois elas acostumam e até gostam de ficar brincando com a barba.

Aparar e fazer cagada

Esse é o meu maior medo com relação a minha barba. 
Juro que já tive pesadelos horríveis onde eu sem querer aparava errado e aí tinha que tirar tudo. 
Desesperador.

That’s all folks!

Teriam muitas outras curiosidades pra colocar, mas pra não me estender muito, resolvi elencar essas.

Se você tiver alguma outra, pode me perguntar, tudo pelo bem da barba.

Achei que seria legal compartilhar um pouco com vocês sobre como foi o processo pra mim e algumas curiosidades.

E você, ainda gastando dinheiro, tempo e energia fazendo a barba?

Seguimos.