Uma carta para o meu eu do futuro

Fonte: Pixabay

São Paulo, 11 de Janeiro de 2017,

Querido Wel, tudo bem?

Bom, já passou-se um ano desde que lhe escrevo isto. Sei que pode parecer estranho saber que o destinatário dessa carta é você mesmo, sentado aí agora e lendo essas palavras. E antes de tudo, queria dizer que sempre gostei dessas coisas de, mais do que registrar um momento, estabelecer uma ponte de comunicação entre o eu hoje e o eu futuro. Mas até então, nunca tinha tentado.
Talvez seja porque eu, ou melhor, porque nós sempre fomos impacientes demais, ansiosos demais. Buscando nesse imediatismo respostas maduras para nossas perguntas ainda verdes.
Pois bem, estava eu aqui refletindo sobre o que de mais importante, gostaria de te dizer nessa carta. Talvez devesse falar sobre as dúvidas — muitas — que eu tenho enquanto escrevo ou dizer quais os meus medos e as minhas reais expectativas pra você em 2017. Mas no fim, achei que nenhuma das anteriores. 
Gostaria apenas de te lembrar que aqui de onde escrevo, vivo cercado por uma redoma de ânsia que recobre grande parte da sociedade com a qual me relaciono diariamente. E a não ser que você tenha se libertado de todas as amarras sociais que me prendiam e esteja agora mesmo, em uma casa na árvore vivendo do que a natureza produz, ainda vive ansiando nessa redoma também. Mas talvez tenha aprendido a lidar melhor com ela do que eu.
Por isso, tamanha mentira seria a minha dizer que enquanto escrevo, não anseio por saber quem você se tornou ao final de mais um ano. Quem é esse você lendo isso aí agora.
Mas não ligue muito pra isso, meu único desejo pra você é que não tenha esquecido de quem já foi, que isso tenha te guiado pras mudanças que nos separam e te tornaram alguém que eu gostaria muito de ter conhecido.

Com carinho, 
Wel do passado.


Seguimos.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.