Depressão na adolescência

Hoje vamos falar de um assunto difícil, mas extremamente importante: a depressão na adolescência. Normalmente associada aos adultos ou idosos, acaba sendo subdiagnosticada nos adolescentes, impedindo um tratamento adequado e a diminuição do sofrimento como consequência.

Acreditamos que nessa fase da vida não há problemas, nem dificuldades, como as que enfrentamos na fase adulta e que justificasse a presença de um quadro desses. Ou ainda pensamos que esses sintomas são “normais da idade”, já que nesse período diversas transformações orgânicas e psicossociais acontecem. Essas crenças impedem que muitos consigam compreender de fato que um jovem está deprimido e não apenas tendo “coisas de adolescente” ou querendo “chamar a atenção”.

A OMS estima que, na faixa etária de 10 a 19 anos, 13% apresentam sintomas depressivos e que dificultam seu desenvolvimento normal. Além disso, o Ministério da Saúde catalogou no Mapa da Violência que, entre os anos de 2002 e 2012, houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes que têm entre 10 e 14 anos. Entre os que têm 15 e 19 anos, o aumento foi de 33,5% no mesmo período.

Isso exige de nós atenção redobrada para não confundirmos a presença dos sintomas depressivos com alterações normais da idade. Normalmente, adolescentes podem apresentar algumas alterações de humor, como raiva, ansiedade, se sentirem incompreendidos, tristeza e angústia. Isso também acontece conosco, que somos adultos, imagine com eles que vivem um turbilhão, né?

Ok. Agora, se você perceber que seu filho (ou sua filha) permanece por mais de duas semanas, de forma constante e na maior parte do tempo, com uma tristeza, falta de apetite ou muito apetite, perda de sono ou uma vontade imensa de dormir, perda de interesse em atividades que antes ele (ou ela ) gostava, como jogar videogame, sair com amigos, baixa autoestima e um desânimo, é importante que você recorra a um especialista (médico e/ou psicólogo) para avaliar. Isso não é normal, não deveria estar acontecendo e, por algum motivo que precisa ser investigado, passou a acontecer.

É muito importante também conversar com seu filho, tentar entender o que está acontecendo, dizer que você tem interesse em ajudá-lo e, por isso, irá com ele num médico ou num psicólogo. Deve-se ter calma e firmeza nesses momentos, mostrando ao jovem que você quer ajudá-lo a lidar melhor com a situação que ele está vivendo. E leve ao profissional da saúde, mesmo que seu filho relute, brigue com você. Lembre-se: você está preocupado com o que ele sente e não quer que nada de mal aconteça a ele (ou ela). E lembre-se também que seu filho está vivendo algo que não consegue compreender direito, por isso pode não gostar da ideia de ir no médico ou no psicólogo. Mesmo assim, vá. Leve a sério sua preocupação.

P.S.1: Se você tiver dúvidas, pode me procurar. Sou psicólogo e terei o prazer em te orientar.

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