A importância do Nada. E a sobrecarga de Tudo.

As vezes é necessário aquela respiração profunda ao final de uma tarde. Como muitas vezes é necessário olhar para o teto sem vontade. O Espaço, muitas vezes, não esta aí para ser preenchido, e sim para ser palco daquelas impressões vagas que ocorrem rapidamente em sua cabeça. Costumo chama-las de lampejos. Pois seu significado pode variar de momento para momento e de pessoa para pessoa.

Mas do que diabos eu estou falando? De nada, na realidade. Sim. O nada em função da realidade, e qual é seu peso na existência humana.

Nada e(é) Tudo.

Com o imediatismo informativo, com a praticidade tecnológica, e com rapidez pragmática a qual o homem mergulha nesses meios, fica difícil encontrar um espaço vago. Quanto mais fáceis se tornam as coisas, mais o homem bitola-se a arrumar coisas a fazer, gerando um ciclo vicioso. E nas poucas vezes em que se dá o luxo de respirar profundamente, sua mente não esta preocupada com o agora, e sim com o mais tarde.

A rotina deveria ser pensada de forma que um espaço vago seja posto, e que o auto-controle dessa “hora morta” seja excepcionalmente visado para o nada. O nome disso é disciplina. Nesse momento Nada me importa. Nesse momento eu vou acessar os muros do imediato, e lá vou sentar de pernas dobradas e deixar que as ondas do tempo cruzem pelo meu corpo gerando-me arrepios perto da nuca.

Ultimamente não se senta mais em uma praça para esperar que seu lanche fique pronto. Não se olha mais para as árvores e nem para as pessoas. Apenas se olha para fotografias em uma tela engordurada na sua frente. Vendo pessoas divulgar fotos de coisas que ela não fariam se não tivessem que divulgar. Nesse ponto até a verdadeira vontade morre. As relações são indiretas e baseadas em expressões que as próprias pessoas não compreendem por completo, apenas digitam e enviam. A intensidade do falar é esquecida, a timidez cresce, e as pessoas deixam de explorar o desconhecido de novas relações. Limitando-se a passar fotos em um aplicativo de copulação. Pessoas se tornam fotos, e deixam de saber que existem.

É muita coisa que se perde em palavras. E Tudo se torna vago.

O Nada é necessário para se entender Tudo.

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