Um pedido para a dona de todo um céu.
Dedicado mais ao seu olhar, do que aos seus olhos.
Garota com os olhos de céu.
Apenas te peço que não me olhe.
Na verdade eu não sei como colocar isso. Mas eu não quero que me olhe. Eu acho que você não gostaria de ver o que há aqui dentro deste circulo de cor cinzenta que se debate e é um contingente tosco.
Não queria que isso ecoasse, mas eu talvez não tenha opção, afinal falo com a parede esquerda de meu quarto, e o corredor para o qual ele dá é grande, e no final há um buraco que não serve nem pra se atirar, porque ele vomita planilhas.
Eu não consigo suportar a ideia de ver o céu sem poder sentir o seu toque. O que vejo quando me vê enquanto te vejo, é algo que não se pode resumir nestes recipientes, mas aqui estou destilando lirismo tosco, e o meu eu lírico é um bêbado emotivo.
Nossa continuidade ocular poderia em parte revelar algo que eu poderia agarrar como uma corda que cruza o meu abismo de imbecilidade auto-contida. Mas vejo que tudo não passa de uma ironia que me faz rir freneticamente, enquanto sinto o salgado de meus olhos derretendo.
Eu tenho tendencias a ser esguio em momentos como esse, mas te digo, que eu queria algo que eu não poderia cimentar, e que por isso eu me contento em viajar de avião as vezes. Sorte que você esta disposta a me ceder isso, mas é uma pena que as vezes esse fluído caía no recipiente errado, acabando por me fazer regurgitar vontades e revirar esperanças amassadas na lata de lixo.
Eu queria entender a complexidade do motivo que te faz tu se deter nas minhas órbitas cor de barro de estrada do interior. Afinal, seu toque já tem um certo destino, o que acabou cortando a corda e derrubando o individuo que carregava uma bolsa cheia de papéis amassados.
Mas eu ainda posso viajar de avião.
Mas mesmo assim eu não quero que me olhe, por que preciso esvaziar [o que disse que estava sendo preenchido] e preciso evitar ter acidentes aéreos por falta de experiência em voo em espaço aéreo no qual eu posso me perder. Não quero me perder, eu só tenho isso.
[esqueça este tratado de covardia,
mas saiba que há uma segunda voz que insiste em berrar em um eco eterno aqui dentro mas que não consegue ser ouvida porque há a presença que (oprime) reprimindo isso para se auto-preservar. eu sei que sou tolo o suficiente para querer dizer que te amo sem mesmo conhecer uma palavra oxítona de tua boca.
saiba que mesmo tendo apenas teu olhar, já me satisfaço, pois você já sabe de minha existência e isso pode ou não definir uma linha do tempo bizarra em um universo quântico Bohrico que pode acabar-se fragmentado (que nem um copo), em uma parada de trem]
Mas antes de dar por fim isto que não começou, preciso que (não) responda a uma pergunta: porque insiste com isso? [ele precisa se perpetuar, ele é um idiota] Você não precisa disso, deste conjunto de pequenos conflitos que me causam e que me colocam em frente a teu olhar como um idiota, que hesita a cada segundo, mas que insiste em manter o voo em uma turbulência que há em meu nervosismo maquiado de humor, mas que vem de minha fragilidade nunca testada.
Eu só preciso dizer uma coisa para tropeçar e cair. Eu sou um idiota, não por isso, mas por não ter tentado antes.
[ele é um idiota por escrever isso e não tentar].
Eu sou um idiota por escrever isso e te olhar durante o dia, enquanto (as vezes) você me olha, e nos olhamos em meio a uma ficção. Eu não tenho o porque parar [tem, preservação], mas você tem [ele], então[…]porque não para?


