Seletividade da evolução urbana

Esses dias tava lendo o conto “Os livres acampamentos da memória” de Paulo Barreto (João do Rio). O conto fala sobre o passeio de um tenente pelo extinto Morro de Santo Antônio, no centro do Rio de Janeiro, em noite de seresta. E o que tem demais nessa história?

O conto é 1917. Mas se não nos atentarmos a data e apenas focarmos na descrição do morro, podemos dizer que ele é de 2018. O objetivo desse texto não é ser uma critica literária. É uma crítica a política de desenvolvimento do Brasil, mais especificamente do Rio de Janeiro.

Obviamente houveram investimentos e avanços em infraestrutura. Entretanto, esse avanço em infraestrutura é somente para a zona sul e a região central do Rio de Janeiro, onde se localizava o morro de Santo Antônio. A comunidade foi destruída em 1950. O material retirado do morro foi usado no Aterro do Flamengo.

Se voltarmos nosso olhares para os bairros mais pobres do Rio de Janeiro, na zona norte e na baixada fluminense, poderemos observar a falta de evolução. Por lá ainda há diversos locais sem ruas asfaltadas e até sem saneamento básico.

Os moradores dessas áreas ficam horas nos transportes públicos de valores altos e qualidade baixa. Usam ônibus quebrados e trens que parecem ter sido tirados de um ferro velho.

É revoltante a seletividade da evolução urbana. Enquanto uns tem VLT, ciclovias e metrôs modernos, outros não possuem nem ruas asfaltadas. É muito importante a evolução. Fico feliz de ver algumas partes da cidade melhorarem, mesmo que a passos lentos. Entretanto, essas melhorias precisam ser iguais para todos e sem seletividade por renda per capita.

Paulo Barreto (João do Rio) | Autor Desconhecido — FON-FON!: semanario illustrado. Rio de Janeiro, p. 11. 13 fev. 1909. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DOCREADER/DOCREADER.ASPX?BIB=259063>
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