Economia mundial está balançando e “o calote” da empiricus pode não estar restrito ao Brasil
Escrito por Wendel Publicado: 23 Fevereiro 2016 em Blog do Wendel

Na semana passada, a consultoria empiricus soltou um relatório um tanto quanto preocupante para nós brasileiros.
O relatório está entitulado como “O Calote”. Nele os analistas da empiricus tentam provar argumentativamente e matematicamente que o Brasil está próximo a um colapso financeiro e que haverá duas formas que o Governo Federal tentará salvar nosso país:
- A primeira seria renegociar dívida com credores, declarar moratória ou dar um calote na dívida;
- A segunda, seria abaixando a taxa de juros, o que provocaria uma hiperinflação brasileira (novamente).
A opção mais provável é a segunda, e já podemos nos preparar para uma hiperinflação em concordância plena com o relatório da empiricus.
O que está em jogo?
Há muita pressão do governo em cima do Banco Central para baixar os juros. O principal motivo sempre é de que a taxa de juros brasileira está na contramão do mundo que chegou a ter juros negativos com o Japão como principal exemplo. Adicionalmente, com o país em recessão, essa corrente defende que é preciso reduzir os juros para “retomada do crescimento”.
Pessoalmente acho que a taxa de juros é um mecanismo artificial de controle da economia, um verdadeiro intervencionismo, que no caso do Japão virou piada. Como imaginar que você, ao emprestar um dinheiro, o tomador do empréstimo te devolva menos do que você emprestou? Ou seja, como imaginar que a unidade monetária e o crédito em si, perdem valor com o tempo? Sou plenamente a favor dessas taxas serem negociadas à mercado, ao invés dessa ilusão artificial de taxa de juros. Posso estar falando disso num próximo post aqui.
Por que o Japão está com juros negativos?
A principal reposta se resume ao gráfico dívida por PIB:

O Japão chegou a uma dívida em relação ao PIB de 230 %. Se o juros não forem zerados ou até mesmo negativos, a economia japonesa quebrará. É uma situação insustentável. Mas aí você pode me fazer uma outra pergunta: Isso já não é calote? Imagine você com uma dívida anual de mais de duas vezes o que você ganha de salário no ano e, de repente, fala pro Banco, olha eu te devo essa quantia, mas arrumei um lugar que me empresta a juros de 0 %. Vou tomar um empréstimo lá e te pagar aqui. Assim minha dívida é reduzida drasticamente a longo prazo. E agora, você pode pegar um empréstimo em outro lugar e pagar menos do que deve, afinal, os juros estão negativos. Isso não virou um calote? É dinheiro por dinheiro. A moeda perdeu seu valor. Situação semelhante acontece com os EUA, com juros quase zero há pelo menos 7 anos no pós-crise de 2008.
E sabe o que é pior? Uma dívida grande foi contraída, espera-se que, pelo menos, esse esforço se reflita no crescimento do PIB. É como se eu , Wendel, tomasse um empréstimo visando abrir um empresa, produzir um produto, oferta um serviço. Aquele empréstimo, teoricamente vai me servir para colocar a roda da economia girando para trazer crescimento econômico. Mas, infelizmente, a realidade do Japão é essa:

Ou seja, gastou-se muito dinheiro, aumentou-se a dívida para ter um crescimento pífio. É como se eu contraísse uma dívida de 1 milhão e fosse capaz de produzir como valor algo muito inferior a isso. Diga-me leitor, há alguma coisa errada com a economia mundial ou só eu que vejo isso na minha esquizofrenia econômica?
E por que o Japão não tem hiperinflação?
No Japão, só não houve hiperinflação, devido um aumento da taxa de produtividade, um aumento da capacidade de produção no período como pode ser visto abaixo:

Um aumento da produtividade fez com que os preços não subissem. Será que o Brasil tem a mesma sorte?
Veja a taxa de produtividade do Brasil

E agora, o que acontece? Produtos e serviços tendem a aumentar e isso gera inflação.
No Japão, a população está decrescendo, e, consequentemente, a demanda está caindo.
E no Brasil?
Conclusão
É possível sim que haja um calote ou uma hiperinflação brasileira. Assim como é possível que haja novamente um grande choque na economia global como um todo devido a um grande endividamento dos países e mediante dúvida a respeito dessa dívida ser uma dívida pagável ou até mesmo de ser uma dívida saudável. Veja o caso da China:

Os estímulos do governo, que causam um alto endividamento para a nação, já não surtem mais o efeito esperado de crescimento no PIB em muitos países. E isso está mais do que claro que pode significar um colapso da economia global em breve. É como um remédio que mata o paciente aos poucos ao invés de curá-lo. Infelizmente.
Aguardamos novas sinalizações de melhoras.
Originalmente postado em blog.wendelrocha.eng.br