Oi e CSN ainda geram valor pro acionista?
Detalhes Escrito por Wendel Publicado: 12 Janeiro 2016 em Blog do Wendel

Esse artigo conta um pouco da minha experiência com essas duas empresas no mercado de capitais, não representa indicação de investimento no mercado.


Quando em 2012 comecei a acompanhar o mercado de capitais e ainda era um estudante universitário, ouvi falar muito bem de duas empresas. Uma era a Oi e a outra era a CSN. Sempre me perguntei sobre o grau de endividamento dessas empresas e sempre me disseram que algumas empresas, como a CSN, costumavam operar alavancadas mesmo. Hoje, passados 4 anos, vejo que o fator dividendo alto faz muita gente ignorar a saúde financeira da empresa e pode mascarar muitos fundamentos ruins da mesma. Neste artigo, estarei analisando os indicadores dívida x dividendos das duas empresas citadas.
O caso da Oi
No Investidor Day de 2012 a Oi anunciou uma política agressiva de distribuição de dividendos somando 8 Bilhões no período de 2012–2015. Só em 2012, esse valor representava 20% de dividendo Yield conforme pode ser visto na imagem abaixo:

O principal condicionante era que a Dívida Líquida/EBITDA não ultrapassasse 3x (O que já era um condicionante bem alto).
Como resultado, em 2012 as ações da Oi acumularam alta de 15,47% tendo picos que superaram esse valor antes do início de 2013, conforme pode ser visto no gráfico abaixo:

Vamos olhar agora um gráfico, retirado do site fundamentus, que eu acho ótimo para analisar o valuation da Oi naquela época e suas consequências:
Lucro Líquido x Proventos

O que falar da Oi neste momento? Após anunciar uma política agressiva de dividendos que chamou a atenção de todos os investidores, vemos no gráfico que o lucro líquido do período não acompanhou os dividendos distribuídos fazendo com que a empresa ficasse cada vez mais endividada. Era natural que em algum momento a dívida líquida ultrapassasse 3x o EBITDA.
E não é que aconteceu?



Quem comprou a ação na estratégia “buy and hold” e não viu essa “pegadinha” nos fundamentos da Oi acumulou uma perda de mais de 80% até hoje. E ainda viu a inevitável diluição da sua participação na empresa no aumento de capital ocorrido em 2014.
Sem falar que nesse período a empresa, enforcada em dívidas, não podia investir em infraestrutura, e não podendo acompanhar as inovações tecnológicas do setor, causou uma depreciação tecnológica de toda a sua matriz. Os consumidores da empresa perceberam que a Oi não estava conseguindo acompanhar o padrão de qualidade que essas inovações tecnológicas proporcionavam, como no caso da Fibra Ótica (Grande parte do cabeamento da Oi ainda é de cobre) na banda larga fixa e móvel,o protocolo HSPA+ da telefonia móvel, também conhecido como (3.5G), a não obtenção da licença 4G de 700 Mhz (A faixa de 700 Mhz é imprescindível para a transmissão do 4G a grandes distâncias — quanto menor a frequência de transmissão, maior é o poder de penetração do sinal), entre outros. Como consequência, veja como ficou o market share da Oi no período de 2012–2015:

Ouso a dizer que alguns clientes só estão ainda na Oi por pura falta de concorrência no setor de banda larga fixa e que a tendência é que chegando concorrência com infraestrutura novinha como a da GVT, NET ou Live Tim, pelo menos no Rio de Janeiro (minha cidade), o market share caia ainda mais.
O Caso da CSN
E o caso da CSN? O que uma empresa de um setor completamente diferente tem a ver com tudo isso?
Você pode me dizer que há um problema no mercado internacional de grande oferta do aço e que as commodities caíram abruptamente de valor por conta do aumento de juros do FED nos EUA. Eu compreendo tudo isso. Mas já que o cenário é negativo, não deveria haver uma melhor gestão da empresa para esse cenário? Veja o lucro x proventos da CSN. Não é o mesmo erro da Oi de anos atrás?

Conclusão: Evite empresas endividadas em que seu lucro líquido não acompanhe os dividendos distribuídos, pare pra pensar que você pode estar comprando “dívida”. Sim, porque comprar um papel com alto endividamento é comprar dívida. A longo prazo, além de não gerar valor a seus sócios, essas empresas tendem a promover um aumento de capital diluindo a participação dos acionistas na empresa.
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