As desvantagens de ser invisível (ou a melhor forma de tomar sorvete)

É É bem simples. Nasce. Cresce. Desenvolve. Forma na Faculdade. E o que vem depois? Talvez esta não seja a ordem mais apropriada mas vamos lá. O que a gente faz depois? Neste caso, o que eu faço depois? Completar fases de alguma forma só é legal, quando de fato, tu sabes que tem coisas por vir depois. Duvido que após zerar Super Mario World com todas as fases abertas , você tenha ficado feliz pelo que viria após os créditos. No máximo, tu ganha um título ou desbloqueai um conquista, se existisse isso na época. O lance é que nomenclatura não te leva pra frente. Pelo menos não pra mim. Adoro “Bacharel em Publicidade e Propaganda”, mas é só isso. É só mais um.

Então tu se convence na brincadeira de pensar : “ Vamos ao desconhecido”. No início o desconhecido é fascinante, é maravilhoso, é incrível. Depois vira aquele crush do Tinder que assim que abre a boca pela 7 vez você se pergunta do porquê de pagar o cachorro-quente dele ou dela. O benefício da dúvida é confortante, mas serve só para um coisa: Ganhar tempo. Benefício se torna ônus, como todos sabem. E a dúvida que era uma, viram muitas. Confrontos internos com a rotatividade de pessoas saindo e entrando apenas por espelhos negros, liberam a solidão interna aprisionada pela falsa sensação de conhecer todo mundo. O nosso reflexo vira nosso inimigo e da briga de um com o outro, tu acaba desaparecendo.

Eu me sinto invisível. Sinto que minha pele sente e meu coração sucumbe. Ao certo seja uma impressão causada pelo filho da puta do subconsciente. Só que existe uma angústia envolvida. Repensar as coisas é um início para comprovar isso. Perus assam, fogos estouram e chega a hora de soprar a velas. Tu recebe parabéns pelo lance de uns anos atrás, de gente que você não conhece pelo binário sistema de elos. Tu espera felicitações de alguns transeuntes que colocaria a mão no fogo por eles. Uns falham, outro completam a missão e a inquietação começa. A relação entre elas é a mesma de não e nunca. E ai, atentos a este ponto, tu percebe que não adianta o que faça, ninguém, absolutamente ninguém liga.

Diferente do filme onde o Erza Miller vinha de bandeja junto com a Hermione, não tem vantagem. Tu se sente sem ânimo, fica calado e dá um sorriso amarelo. E a pergunta lá do início, faz o desconhecido desaparecer pois nem ele te reconhece mais. Você começa a falar, a voz sai mas ninguém te ouve. Você vira um dedinho para cima em uma tela numa intenção de não te verem. Falam de sair na sua frente mas não te chamam. O poucos que lembram de ti tratam como falecido tipo Amy e Bowie. Só que não é suficiente. Tu quer mais e não pode chorar confrontando sua fragilidade defendida por doses ácidas de sarcasmos.

Uma vez, um cara do qual baseie um herói pessoal disse a mim, atravessando um semáforo, que tu precisa mostrar o que tu faz e se jogar com força para ganhar reconhecimento pelas coisas. De certa forma é verdade, só que isso não vale para todas as fontes. É fácil falar “Oi” e ganhar o Nobel de Literatura dos amigos. Ser aplaudido por discursos alheio. Ou mitar com a presença do Aedes. Só que pra uma pessoas, tipo eu, que se trancavam na biblioteca pois os livros não eram tão cruel com os amiguinhos, isso não acontece. A gente tenta ser o melhor. Acredito ser um bom filho, um publicitário formado, um exímio caçador de borboletas, portador de ideias e futuro doador de órgãos. Só que não basta. Tu tenta, tenta, e continua despercebido.

Entretanto nem tudo está perdido. Na verdade está, mas não precisamos admitir a derrota agora. Admitimos depois com um garrafa de vinho barato na mão. Enquanto isso alimentamos a esperança de que ganhar o mundo como aquele hippie fodão que multiplicava as coisas fez, é possível e agarramos a ela feito Tarzan com cipó. Como sou péssimo com fins e estou perdido neste abstratismo dos meus sentimento: A melhor forma de comer sorvete é com uma colher. A chance de sujar a camisa é menor. Pelo menos pra mim.

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