Eu sou!

Wesley Fonseca
Aug 23, 2017 · 2 min read

Eu não sou mais o que eu era antes. Na verdade, eu não sei bem o que eu sou. Em determinados momentos penso que sou uma colcha de retalhos, todo retalhado, costurado e emaranhado com dores e sofrimentos em minhas entranhas, dilacerado pelos traumas e marcado pelo vazio que se foi mas que ainda me preenche. Em momentos indeterminados penso que sou aquilo que nunca deveria ter sido, fruto de meus erros e resultado daquilo que não gostaria de ter vivido. Aliás, vivo preso nas consequências de meus atos inconsequentes e estagnado naquilo que não se vai, estacionado onde não deveria estar, imóvel devido à paresia, observando a parresía iminente.

Sou o que outrora condenava, sou o julgo pesado julgado e processado, condenado sem misericórdia, sentenciado a ser silenciado. E é diante do silêncio que desfaleço. É no silêncio que grita, que ecoa, que reverbera que enlouqueço. E na loucura encontro a lucidez, por mais sobrenatural que pareça. É diante daquilo que é mistério que entendo quem sou eu. Embora, perceba que eu sou aquilo que não é.

Sou semente a virar fruto, sou embrião a virar feto, sou presente esperando pra ser futuro, sou imaturo esperando o processo natural de maturação.

Sou incompleto esperando a completude, sou a imperfeição esperando para me aperfeiçoar, sou a coleção que espera a peça preciosa para se tornar imemorial e única.

E não venha me julgar por ser quem eu sou, embora não seja quem eu deveria ser. Sou o espírito adormecido esperando a força despertar-me, sou o não perpétuo esperando a perpetuação e perfeição, embora reconheça que perfeição é hipotético, irracional e utópico. Sou o pretérito imperfeito no presente esperando o futuro perfeito do subjuntivo me condicionar a ser perpétuo na escatologia do meu ser.

Sou a mudez embora recheado de palavras que tendem a explodir de dentro de mim, sou o caos ante a todo cais, sou o princípio do precipício, sou o ápice do abismo, sou o que há de ser e o que advir e há de vir. E o que há de vir, vigorará, revigorará em mim.

Sou o silêncio.

E é no silêncio

Que caio aos Pés e me dou conta de não ser o que achei que eu era é apenas normal

E que não venha esperando que eu seja quem você quer que eu seja

Porque nem eu sou aquilo que eu queria ser

E que não tem problema nenhum nisso

Porque eu sou ISSO

Mas pra você eu posso ser o tudo NISSO

Só isso.

Wesley Fernandes Fonseca

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Wesley Fonseca

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Biólogo, amante da ciência. Escritor das nuances da vida em suas subjetividades. Amante em forma exagerada, doido pra ser doído pelo amor.