O amor é ….

Ah, o amor! Quão profundo e ao mesmo tempo é raso esse sentimento. Profundo porque quando amamos parece que sentimos um turbilhão de emoções, somos colocados num vórtex de sentimentos que nos bagunça por inteiro. Quando o amor reina em nossos corações sentimos tudo e de tanto sentir parece que não sentimos nada. E não sabemos o que fazer com tamanho sentimento. O amor ao mesmo tempo dá sentido à tudo. O amor dá sentido à vida! Mas, ao mesmo tempo, tudo perde o sentido. Ficamos desorientados diante do amor. O amor nos faz perder a lógica, a racionalidade. De tanto amor tornamos cegos à realidade. Já dizia um escritor por aí que o amor nos emburrece. Penso que, de fato, isso é verdade. Já parou pra pensar que quando amamos esquecemo-nos da vida apenas para deleitarmos por esse amor? Quando amamos, enlouquecemos. E se não sentimos isso, se não nos tornamos burros, se não nos tornamos loucos, talvez não estamos amando.

Porém, o amor também é raso. É simples. É puro. É inocente. É água que molha nossos pés na praia. O amor é escrever as cartas apaixonadas, é visitar a pessoa amada não importa a hora ou as circunstâncias. O amor é olhar para o outro e perder a noção do dia, da hora, do tempo, do local, só porque o amor é capaz de nos mover para o coração do ser amado, num movimento de translocação tão sublime. O amor é passear de mãos dadas tomando um sorvete na praça da cidade num domingo à tarde, embora você saiba que seu time de futebol do coração estará jogando a final do campeonato. O amor é você ser viciado em pensar, em falar, em beijar, em viver com aquela pessoa. E o vício toma conta de você. O amor é perceber que seu dia está incompleto quando não recebe aquela mensagem de “bom dia, meu amor”, ou quando não tem aquela mensagem de “boa noite, se cuida!”. O amor é cuidar mais de outro do que de si próprio. O amor é simples….

O difícil é estar disposto a amar

Para amar é necessário se doar. E necessário doer

Para sentir o amor é necessário deixar de lado todos os traumas, medos, feridas e dores. É necessário deixar de lado tudo aquilo que já lhe feriram. Para se abrir ao amor é necessário olhar para as cicatrizes que as outras pessoas deixaram em sua você e decidir ignorá-las, embora elas estão tão presentes. É apostar que dessa vez dará certo, que a pessoa não vai lhe machucar como tantas outras que passaram pela sua vida. É acreditar que dessa vez você não colecionará mais uma cicatriz, mais uma dor. É acreditar que dessa vez o choro será de alegria e não de abandono. Estar disposto a sentir o desespero tomar conta de sua vida diante da incapacidade de controlar o futuro, pois você não sabe se dará certo ou não. É estar disposto a chorar quando o outro te ferir, porque sim, ele vai te ferir. É estar disposto a deixar o orgulho e a vingançinha barata de lado para pedir perdão quando falhar e perdoar quando te magoarem. É estar disposto a aguentar as crises, os dramas, os choros, os medos e as inseguranças de outra pessoa também. É estar disposto a se comprometer. É estar disposto a deixar de lado a balada com seus amigos num sábado à noite só para poder passar uma noite comendo pizza e brigadeiro vendo séries na Netflix. É estar disposto a sacrificar seus desejos e suas vontades para o outro. É estar disposto a sacrificar seus projetos individuais porque agora você não é somente você. Pois parte de você vive no outro! Pois parte de você está no coração de outra pessoa. Parte de você está vivente em oura pessoa. É estar disposto a morrer em prol do outro. Pois não há sacrifício que não envolva morte. E amar é morrer.

Todos nós queremos viver. E não morrer de amor.

Morrer envolve amor

Não há amor sem morte

O amor é consumir até que a morte nos consuma

E nos assuma como o amor mais pleno. E se não for assim, suma

Para que tenha vida e vida em plenitude é necessário amor e amor em plenitude significa morte em totalidade.

Wesley Fernandes Fonseca

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