PERTENÇA!

A quem você pertence? De quem você é? A quem você está preso? Sua âncora está fixada em que? Em quem?

Pode parecer tão inconcebível essa pergunta no mundo pós-moderno atual. Mas é a pura verdade! Dentro dessa pergunta tão indecorosa que nos assombra, há uma realidade esquecida e ignorada por nós. Na concepção atual, tudo é liberdade. Pregamos um liberalismo em todos os âmbitos. Não falarei aqui de política e economia. Pelo contrário. Irei falar sobre o liberalismo sentimental. Sobre o desapego aos outros e a si mesmo. Sobre o jargão popular que impera: “desapega, desapega”

Vivemos embutidos com esse pragmatismo. E é a teoria da facilidade. O que é fácil nos convém. E é agradável. Tudo é muito livre, leve e solto. De fato, você é livre para ser quem você quiser. Para expressar suas opiniões, convicções e amor como bem entender. Você DEVE ser livre para agir como bem entender. Mas a grande indagação que persiste é: e se quisermos nos apegar? Nos fixar? Nos prendermos? Como fica diante de um mundo tão livre? O que é livre, é lindo. Essa é a “tendência.

Mas eu sou sempre do contra. Eu sou sempre aquele que vai contra a maré. Sou aquele que vai na direção oposta. Aquele que questiona quando todos concordam com a teoria do momento. Sou aquele que sempre é o “diferentão”

No aspecto de relacionamentos, em qualquer esfera, seja profissional, pessoal ou amoroso, a liberdade é pregada como a solução de todos os problemas. Não tá dando certo com a pessoa com quem você se relaciona? LIBERTE-SE! Sai fora dessa. Seja livre.

NÃO ESTOU DEFENDENDO FICAR PRESO NUMA RELAÇÃO ABUSIVA! NÃO ESTOU DEFENDENDO VIVER NUM RELACIONAMENTO OPRESSOR. EU ESTOU INDO CONTRA A LIBERDADE EXAGERADA

Vivemos livres para termos relacionamentos abertos, abertos até demais. Vivemos livres para sermos livre de nós mesmos. Mas até que ponto isso é bom?

Eu sou tão livre, mas tão livre…. que me sinto livre demais

E um dos sentimentos mais legais que eu tive a oportunidade de experimentar na vida é o sentimento de pertença. Que eu pertenço à alguém.

Incrível como uma frase mudou minha visão de amizade. Quando estava numa das piores crises de depressão que já enfrentei, um grande amigo me disse: “EU NÃO VOU TE ABANDONAR PORQUE VOCÊ É MEU!”

Aquele sentimento de pertencer à vida de alguém mudou minha visão. Se eu não lutava por mim, já que estava caído, comecei a tentei lutar por ele. Porque eu pertencia à ele, à vida dele. Na vida desse meu amigo, minha presença era fundamental, segundo ele. A minha vida estava presa à ele.

E talvez criar vínculos seja isso. De pertencer à algo ou à alguém.

Não tá dando certo com um amigo? TROCA DE AMIZADE. Não tá dando certo no trabalho? SAI DESSA! Não tá dando certo no NAMORO? ACABA! Tem uma infinidade de pessoas lá fora. Não gosta do estágio? LIBERTE-SE

Claro que isso é importante.

Mas quando você vai se entrelaçar a algo ou alguém? Quando você vai criar vínculos? Quando vai se prender a algo ou alguém? Vai viver pulando de galho em galho até quando? Vai ficar trocando de projetos, de pessoas, de sonhos, de vidas até quando?

Nós colecionamos coisas/pessoas/sonhos/vidas passageiras em nossas vidas. Quando, na verdade, deveríamos colecionar coisas/pessoas/sonhos/vidas eternas!

E talvez o amor seja isso

Como disse Camões: é um estar-se preso por vontade

E quando há amor, há isso! Você se prende por vontade. Se prende à algo ou alguém. Você entrelaça sua vida a alguém! E de dois, um se faz. De duas carnes, tornar-se-á uma só. Duas vidas numa só. Você se prende a alguém ou alguma coisa porque você é livre o bastante para tomar essa decisão.

E eu quero me prender

Quero me fixar

E de tão fixo, quero me elevar

E é nesse ato de fixar-se que eu me mudo, me desloco, me transformo

E já deixo de ser quem eu era para ser completamente amor

E de tão preso, me torno tão livre a ponto de até voar

E voo nas asas do amor impulsionado nessa liberdade que me prende à você.

Wesley Fernandes Fonseca

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