
Empreendedorismo criativo e o lirismo que o mercado se recusa a aceitar
Já são dois anos de CNPJ, dois anos de serviço formal e durante este tempo o número de clientes tem caído bastante. Crise? Não. Estou me encontrando.
O número de clientes de minha empresa tem reduzido bastante desde a sua fundação e este é um ponto a se comemorar.
Nem toda empresa tem a necessidade ou obrigação de crescer. Existem negócios que não se encaixam em modelos datados de gestão, manutenção e expansão. Se isto acontece, a essência não consegue sobreviver ao crescimento.
Criatividade não é commoditie.
São negócios que dependem essencialmente — de essência mesmo — do potencial individual humano. A possibilidade de produzir ou criar em maior quantidade é, de fato, financeiramente interessante, mas quando se trata de criar, principalmente, não estamos falando de commodities.
Quando se passa a comercializar a criação do indivíduo, o mercado naturalmente lhe exige certas formalidades, na verdade basta que você comece a comercializar qualquer coisa, mas até aqui tudo bem. O problema é quando este mercado, o que consume o seu produto, no caso a criatividade, lhe exige a expansão do seu potencial através da demanda. Adequar-se a esta exigência é uma opção. Cabe ao criador avaliar o escalonamento do seu produto.
Existe certa poesia neste negócio e muitas vezes ela é ignorada, grande parte das vezes criticada. É inaceitável que você não consiga se encaixar em modelos, padrões, tabelas e coisas do tipo, ao mesmo tempo em que lhe é exigido diferencial. Isso é no mínimo cômico.
Gestão de projetos, modelos de negócio, produtividade e um outro punhado de metodologias que nasceram na era da Revolução Industrial são vomitadas para te fazer questionar-se sobre o seu produto ou qualidade deste. São todas adaptações para um cenário mediocremente observado, muito bonitas em teoria, mas pouco aplicáveis em prática.
Antes de sair clicando em e-books que provavelmente irão lhe apresentar um maravilhoso mundo onde é possível saber “como aumentar sua produtividade”, “como atrair mais clientes” ou ainda, “como expandir o seu negócio”, primeiro é preciso saber se: será que o seu negócio é mesmo expansível? Será que ele precisa mesmo crescer?
Aceite! Aceite que talvez os seus processos não se encaixem em um gráfico de gannt, fica até bonito, mas quando se trata de algo que depende do seu humor, de inspiração ou de um dia nublado, é impossível e no mínimo ingênuo tentar desenhar um caminho crítico ou até mesmo um workflow.
Relaxe! Você vende criatividade e talvez este bug comercial seja do mercado, não seu. Você não é artista! Uma afirmação óbvia, mas se puder imprimir e plotar na testa isto vai te ajudar com as críticas de quem tenta precificar o seu produto utilizando exatamente este argumento.
E acredite, se você passa por dificuldades na hora de colocar a sua mente em uma esteira na linha de produção, é possível que o seu negócio esteja fadado ao fracasso quando você morrer, e não há nada de errado nisso.