A universidade e os pietistas de hoje.

Universidade de Halle

Na virada do século XVII para o XVIII a igreja vivia um momento de esfriamento e apatia. Neste cenário, surge o movimento pietista, que pregava um cristianismo vivo e prático.

O centro de divulgação do pietismo não estava em uma igreja em particular mas na Universidade de Halle, na Alemanha. Ali se iniciou um orfanato, um asilo, e uma gráfica, que distribuiu 80 mil Bíblias 100 mil Novos Testamentos em apenas sete anos. Pra se ter uma ideia do quanto isso era muito pra época, nos 80 anos anteriores a Alemanha havia produzido bem menos: 20 mil Bíblias.

Foi dali que surgiram os primeiros missionários — décadas antes de Willian Carrey ir para a Índia. Os missionários pietistas, além da índia, foram para países da África e América Central. Alguns se venderam como escravos para alcançar os escravos!

Este movimento influenciou o início das missões, o surgimento de obras sociais protestantes e avivalistas, como João Wesley. Os pietistas estavam respondendo a questões não só da religião, mas também da sociedade.

Creio que Deus quer fazer o mesmo nos dias de hoje. Acredito que, como movimento cristão universitário, temos uma oportunidade incrível. Primeiro, porque, como universitários, somos capacitados a pensar em soluções para os problemas mais variados em nosso país. E como cristãos, temos uma cosmovisão única, comprometida com o reino.

No tempo dos pietistas, a Europa vivia o florescimento do iluminismo e o romantismo. Duas correntes aparentemente contraditórias, mas com algo em comum; colocavam o homem no centro. A primeira, exaltando a razão e, a segunda, as emoções. Mas o movimento pietista voltava-se para Deus sem deixar de encontrar lugar para a razão e as emoções humanas — na verdade, reconciliando-as em sua experiência religiosa. Eles entenderam que o evangelho não deixa de enobrecer o homem, mas sem endeusá-lo. Somente o evangelho pode levar um ser humano a abandonar tudo ao ponto de vender-se como escravo para salvar um semelhante (aliás, só o evangelho pode levar alguém, em pleno século XVIII, a considerar um escravo como um semelhante).

Eu quero propor a todos os estudantes que estão lendo este texto, a considerarem duas coisas:

A primeira, que não existe nada que supere o Evangelho. Nenhuma corrente ideológica, política, filosófica, religiosa ou de qualquer natureza, sequer pode ser comparada ao Evangelho. E aqui eu, propositalmente, escolho usar a palavra “Evangelho” no lugar de “Cristianismo”, pois aquele é o coração deste. E o coração do evangelho é Cristo. O evangelho do Reino tem aplicações que vão além da salvação futura da alma, mas em fazer dos corações rendidos a Cristo como parte de Seu reinado. Cada discípulo se torna um representante de um reino superior e isso faz uma diferença na maneira como ele pensa, sente, fala, age, se relaciona com outros, influencia e altera o mundo a seu redor.

A segunda, é que cada estudante, em submissão a Cristo e sua Palavra, em concordância com os valores do Reino, em dependência do Espirito Santo, com a mente de Cristo e renovada por Ele, pense e proponha soluções para o nosso Brasil. Se somos universitários e cristãos, isso precisa significar que podemos pensar de forma inteligente, criativa, com base em dados, porém, ao mesmo tempo — e acima de tudo — a partir de uma cosmovisão cristã e iluminação divina, soluções únicas para o nosso país. Em nosso caminho de discipulado, todos nós, em algum momento, precisamos nos debruçar seriamente sobre este exercício. Além de propor soluções, que cada um de nós eleja pelo menos uma com a qual irá, pessoalmente, se envolver. Pode ser para ajudar em um problema em seu bairro, em sua vizinhança, em seu campus, em sua cidade ou em seu país. Não importa. Todos nós precisamos estar comprometidos em fazer diferença.

Somos cerca de dois mil estudantes, só em nosso movimento. Se cada um de nós levar esta aplicação a sério, eu creio que é possível que as melhores soluções para o nosso país surjam do nosso meio.